09/05/2006
 
O bom filho à casa torna. Ou retorna. Ou entorna.

Nutella e um taxista mal-educado. Essas duas coisas me fizeram ter vontade de escrever e, como eu não tinha outro endereço, lembrei desse blog jogado às traças mas jamais esquecido. Por diversos motivos eu parei de escrever aqui, por outros diversos motivos não deletei nada. É engraçado, mas eu tenho carinho por esse endereço e não queria nenhum mané se apoderando dele. Bobagem, eu sei. O fato é que sinto vontade de escrever de quando em vez e nem sempre acho apropriado escrever no fotolog. Além disso, alguns malucos e desajustados me falam "ei, volte a escrever". Como meu ego estava precisando de um afago esses dias, cá estou eu.

Comecei falando da Nutella e do taxista. E na verdade tudo está um pouco ligado. O fato é que eu ando meio sorumbática por conta de um rapaz. Ah, os rapazes, sempre eles. E ontem, num surto de "preciso comer doce" eu comecei a desejar Nutella. Desejar ardentemente mesmo. Fui ao supermercado, nada de Nutella. Fui à padaria 1, nada de Nutella. Fui à padaria 2, NADA DE NUTELLA. COMASSIM? Eu só queria umas fatias de pão francês entupidas de Nutella, só isso. Ô Universo, CUSTA colaborar? Porque seria tudo muito simples: eu comeria Nutella, ficaria feliz com a quantidade de açúcar no sangue e com o chocolate e coisa e tal e iria trabalhar mais feliz. Mas os santos não sorriram pra mim. As criaturas do Universo, na verdade, olhavam lá de cima e pensavam "se fode aí, mané, hahahahaha" e ainda faziam sinal de "top top" pra mim enquanto eu atravessava as ruas do meu bairro pensando que os carros eram pão com Nutella. Custava colaborar, Universo? Custava? Nãããããããão.

E aí eu voltei tarde do trabalho, cansada e mais sorumbática ainda. Não tinha pão com Nutella. Nem pão tinha, porque o ser humano que coabita comigo e por um erro do destino é meu irmão (vulgo Apocalipse) havia comido todos os pãezinhos franceses cros-croc que eu havia comprado à tarde. O que fazer pra melhorar um pouco o humor perdido? Internet. Porque eu nunca vi muleta maior que essa porra de internet. MSN então, nem se fala. E depois do orkut, o mundo se perdeu. Eu juro que às vezes olho pro céu procurando pelos 3 Cavaleiros do Apocalipse (sim, somente três - um deles já mora comigo, não se esqueçam) porque acho que o mundo não tem mais solução. Voltando à minha vontade de melhorar meu humor: fiquei na internet. Porque não tinha Nutella pra me deixar feliz. Perdi a hora de ir dormir, acordei atrasada e tive que pegar táxi pra ir trabalhar.

Taxistas são engraçados. Na verdade, safados: eles dirigem mais devagar quando o destino não é longe do ponto em que eles estavam. E assim foi com o pulha que dirigia aquele carro hoje cedo. Sò que dirigir mais devagar significa chegar mais tarde ao meu destino e eu estava realmente atrasada. Acho que nem precisava explicar isso, já que ninguém pega táxi se não estiver com pressa ou bêbado. Eu não estava bêbada. E lá se foi o taxista "lesmamente" pelas ruas do meu bairro. Eu geralmente não reclamo, só aviso que estou atrasada. Mas hoje eu estava brava, irritada e avisei duas vezes pra ele não pegar tal rua, pegar outra, eu estava atrasada, nããão nessa rua, na outra. Por causa da lerdeza, safadeza e neurônios a menos do motorista a corrida deu mais do que eu esperava e mais do que eu tinha em dinheiro. Eu, mulher honesta, peguei meu talão de cheques e comecei a comecei a preencher uma folha. Estava preenchendo o valor quando minha linda caligrafia apressada foi interrompida por frases soltas e num volume mais alto do que o aceitável:

- A senhora tava com tanta pressa e agora faz essa palhaçada de preencher cheque? (quer que eu saia sem pagar?)
- Não me interessa que a senhora não tem dinheiro suficiente, a senhora me encheu o saco no caminho e agora tá demorando. Cadê sua pressa? (devo ter enfiado na sua orelha, já que o senhor ignorou meus pedidos)
- A senhora é uma maluca mesmo, desrespeitou eu (sic) como profissional porque me apressou e agora fica aí escrevendo.
- Eu não tenho nome. E a senhora vai me denunciar? Denuncia mesmo, sua maluca.

Cheguei na escola tremendo, depois de ter mandado o motorista tomar no cu, ter jogado o cheque na cara dele e batido a porta do carro. Uma cena bonita de se ver e ótima pra começar o dia. Comecei a aula lívida de raiva, com minha aluna dizendo "teacher, vamos ali tomar uma água". Ao menos há alguma solidariedade no mundo.

Depois disso tudo, cá estou eu. Sem Nutella, indo reclamar sobre o taxista no ponto aqui em frente (ele se fodeu porque eu moro em frente ao ponto e, apesar dele ter se recusado a dizer o nome dele, eu tenho memória fotográfica. E estou com sangue nos olhos - nada como um mal-educado patife pra me fazer ter vontade de descontar nele todas as minhas frustrações, haha) e escrevendo no "eu só quis dizer". Talvez eu volte.

É, eu volto.
 

29/10/2004
 
Não há melhor maneira...

Venho pensando nisso há algum tempo, confesso. Mas somente há alguns dias decidi de vez. E, nesses dias, venho matutando sobre a melhor maneira de escrever isso aqui. Pensei em historinhas, pensei que esse texto devia ser um dos melhores, e, no final, acho que esse texto não tem que que ser nada. Tem que ser o que sou: direto. Por isso, lá vai: não vou mais escrever aqui. Por quê? Porque cansei. Simplesmente isso. Cansei do endereço, cansei do lay-out, cansei da cara do Cirilo, cansei dos meus textos. De uns tempos para cá não tenho escrito tudo o que quero, me auto-censuro, perco a vontade. Esse blog representa uma fase, uma fase superada. Não me sinto mais a mesma pessoa de quando comecei, há quase dois anos. Comecei a escrever aqui por influência dos meus amigos do Neurônio Descontrol. Por causa desse blog conheci muitas pessoas especiais. Não somente especiais, mas pessoas que se tornaram imprescindíveis e indispensáveis na minha vida. Fiz amigos, caí de amores, fui amada, me apaixonei por palavras, escrevi mais do que deveria e menos do que gostaria. Perdi amizades por mal-entendidos, ganhei amizades simplesmente porque tem gente maluca no mundo que gosta do que escrevo. Nunca quis dar lição nenhuma aqui, nem mostrar que sou um mulherão maduro, nem que sou genial, geniosa, sexy ou idiota: muito do que escrevi sou eu tentando me esconder ou tentando mostrar algo pra mim mesma. Fiz declarações de amor, de tristeza, de raiva, de amor novamente. Deus, como tem post aqui escrito direta ou indiretamente para um mocinho que passou, para outro que teima em ficar, para outro que nem foi... Mas não quero mais isso. Não sou mais a semi-personificação de um Cirilo resignado dizendo "eu só quis dizer" depois de tomar um toco da Maria Joaquina. Não há mais espaço para Marias Joaquinas. Fica a lembrança boa de uma fase que me fez crescer como nunca. Fica a lembrança dos comentários engraçados, carinhosos, dos e-mails bacanas que recebi e até de uma tal stalker que resolveu me xingar. Fica a lembrança também de uma época complicada e triste, incrivelmente triste. Mas também ficam as amizades. Amizades que vou levar até elas não me agüentarem mais na vida delas. *chuinf*

(Acho que esse é o texto mais difícil que escrevi até agora...)

Não vou deletar nada por enquanto, não consigo.
 

23/10/2004
 
Hein?! Não entendi...

Eu e um amigo ontem, numa festa pré-Halloween. Vimos uma menina com um chapéu que parecia o chapéu selecionador do Harry Poter. Meu amigo, surtado, vai até a menina:

- Oi, adorei seu chapéu!
- Hein?!
- Seu chapéu! Parece o chapéu selecionador do Harry Potter! Posso ver em que casa vou ficar? Quero ir pra Sonserina!
- Por causa da minha cicatriz?

Eu e ele nos olhamos de esguelha. Cicatriz?

- ÃH? Não! Chapéu selecionador, do Harry Potter! Sabe?! Aquele que decidia se a pessoa ia pra Corvinal, Grifinória, sabe?!
- Não... Nunca vi... É que as pessoas me chamam de Harry Potter por causa da minha cicatriz.

Nisso, ela tira o chapéu que estava cobrindo a testa, e mostra um cicatriz. Eu fiquei sem graça, mas meu amigo não...:

- Eu, hein... E Você acha que eu estava olhando pra sua cicatriz? Nem dá pra ver! Queria era o seu chapéu!

Momentos únicos na vida de uma pessoa.

Legal foi, ao nos despedirmos das pessoas da festa, ouvirmos congratulações sobre o casal maravilhoso que somos. Que temos sintonia, que dançamos de maneira legal, que somos igualmente malucos. Mais um pouco iam perguntar quando é o casório. Bonito, né?! Seria, se eu e meu amigo não fôsssemos um casal 50% hétero e 50% gay. Do nosso mato não sai coelho. Nem outro bicho. Ele paquera os mesmos caras que eu. Falamos sobre homens e seus problemas. Ele diz que é uma "vaca". "Nós nos damos incrivelmente bem, sim. Mas daí a sermos um casal feliz, há uma graaande diferença.

Crise: formo um casal feliz com meu amigo gay. Ou seja: meu par perfeito é gay. Ó céus, ó vida, meu destino é o caritó.
 

21/10/2004
 
Semana semi-apocalíptica

Hoje ainda é quinta-feira. Mas já posso dizer que essa semana foi uma das mais estranhas desse ano. Uma mistureba de acontecimentos e de sensações/sentimentos que me deixam sem palavras. Ou tão cheia de palavras que é melhor nem postá-las. Muitas vezes penso em escrachar geral. Não nasci com o dom da diplomacia, e, para exercê-la, tenho que ter um motivo forte. Amor é um dos motivos. Sou diplomática por amor, mas é bom não abusar.


*Geninho entra em ação*

Oláááááá amiguinhos! Viram onde eu estava hoje? Eu estava ali, escondido atrás da máscara social que todo mundo usa! Vamos falar do que aprendemos hoje? Hoje aprendemos que paciência com outrém é uma virtude. E que, caso você tenha nascido sem ela, tem duas escolhas: ou se fode e aprende a ter, ou se fode e se fode mesmo! Fantástico, não é? Ah, a vida é bonita, já disse Gonzaguinha! Hoje vocês também aprenderam a manter-se isentos numa situação em que vocês gostariam de falar muito! Parabéns, amiguinhos! Continuem assim e virarão os melhores amigos da She-Ra e daquele cruzamento híbrido de coruja com borboleta!



*Recado do coração*
Lu, se você ler isso, registre: MUITO bom saber de você novamente! A vida já é chata demais pra ficarmos com bichices! Tu és querida, minha nêga!
 

 
*func func*

Hum... Er... Há cheiro de coisa estranha no ar.

Melhor eu me benzer.
 

20/10/2004
 
Money no bolso é tudo o que eu quero

Contas: pagas. Algumas com atraso e multa, mas pagas.
Conta bancária: em situação calamitosa. Gritando. Vermelha de raiva.

Ai, meu São Jisuis Cristinho, eu preciso de mais dinheirinho.

Sei lá, estive pensando em oferecer meu apetecível corpinho nas esquinas da vida. Quem sabe role uma grana extra, e tal. Aí algum velho muxibento e rico vai querer pagar minhas contas e...

EU DISSE MUXIBENTO?

Eu teria que "interagir" com o muxibento? Argh. Nem por amor à minha conta bancária. Decididamente não daria certo. Acho que vou virar hippie, vender uns incensos na Paulista, parar de me depilar e seguir uma filosofia natureba. Desapegar-me dos prazeres mundanos e das coisas materiais.

E viva a natureza!

Er... Eu disse "parar de me depilar"? Argh. A solução é continuar pobre mesmo.


 

18/10/2004
 
These feet are made for walking

Estávamos andando pela praia. Bem na beirinha d?água. Conversando, dessa vez não falando besteiras, mas falando coisinhas sérias. De repente, ele parou e me perguntou:
- Por que você anda olhando pro chão?
Eu sempre soube que ando assim. Não sempre, só às vezes. Mas ando. Eu respondi que esse era meu jeito de andar quando em vez. Só disse isso. Eu poderia ter dito mais, poderia ter dito que estava chateada, que achava que ele estava sendo frio comigo naquele momento, que ele não precisava ser assim... Mas eu me calei, e ele disse:
- O jeito de andar revela muito sobre as pessoas.
Rá, fantástico. Além d?eu estar chateada e não conseguir exprimir isso ao causador da minha tristeza, eu ainda estava sendo abertamente analisada. Garanto que a conclusão da análise não foi muito favorável a mim. Provavelmente ele me achou insegura demais, ou que eu estava escondendo alguma coisa. O que era a mais pura verdade.

Não é sempre que gosto de andar encarando o mundo. Não é sempre que quero olhar para as pessoas que passam por mim. São tantas, tantas... Tantos semblantes diferentes, tantos olhares expressivos, tantas histórias que crio em minha mente. Invento uma mini história pra toda pessoa que me chama a atenção. Ou então começo a pensar onde ela está indo, o motivo da ida, o que faz na rua àquela hora. Nunca penso que a pessoa está simplesmente indo ou voltando do trabalho. Ela está sempre fazendo algo mirabolante, e não prosaico. De prosaica já basta a minha vida. Na minha cabeça as histórias assumem-se como dramalhões mexicanos, com toques de Almodóvar e nonsense de Chapolim. Exatamente por me distrair, não gosto de olhar sempre para todo mundo. Gosto, às vezes, de caminhar olhando para o chão. Para meus pés, sapatos, pernas a se movimentarem. É assim que me concentro para pensar no que quer que seja. Pensar na minha vida, no que vou fazer, na atitude que tomarei. É olhando para meus pés a caminhar que penso no caminho que vou seguir, no passo que darei, no retrocesso que é minha vida de vez em quando. É olhando para as calçadas que penso nas histórias que tive, na saudade que sinto, nas coisas que não quero falar pra ninguém, muito menos confessar.

Pode-se concluir que ando olhando para o chão ou para meus pés quando estou pensativa demais. Introspectiva ou tristonha. Voltei da minha aula hoje e decidi comprar algum doce no supermercado. Desci as escadas saltitando, abri o portão do prédio e comecei a andar pela calçada recém feita pela Sra. Dona Marta. Preta, vermelha, amarela... As pedras dispostas de uma maneira tão bonita... Minha calça está meio larga, meus tênis estão velhos. Puxa vida, eu nunca saio de tênis... Meu reflexo num vidro de uma loja, olhei pra mim, minha cara não está lá muito boa.

Biii biiii

Olhei, era meu padrinho, que mora na mesma rua que eu:

- Miiii, vem cá!

Fui até ele dar um beijinho. A primeira coisa que ele perguntou foi:

- Por que você anda olhando pro chão?
- Eu? Ah, estou reparando nos meus tênis surrados.
- Ah, ta.

Pra que explicar? Pra que falar mais? Quem entenderia?
 

16/10/2004
 
Happy Teacher's Day!

Acho chique. No meu primeiro dia dos professores como professora ganhei presente, com direito a cartão. Quase chorei, mas aí lembrei que minha aluna não faz idéia de quão importante era aquele presente pra mim; e que ela acabaria confirmando que sou maluca. Um presente que representa toda a mudança que almejei e tenho tenatdo conquistar para minha vida. Presente carinhoso. Como é bom!


Mais do mesmo (update dia 16/10)

Hoje ganhei um chocolate e uma fita com gravações fabulosas:

Fuscão preto
Sandra Rosa Madalena
Não se vá
Páre de tomar a pílula

... entre outros.

Porque esse meu aluno sabe a professora tosqueira que tem.
 

 
Ou Isto ou Aquilo - ou - Sobre certezas

(Cecília Meirelles)

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda qual é melhor:
se é isto ou aquilo.


A escola onde estudei não usava cartilha. Na primeira série eu estudava com Cecília Meirelles, e não com "o vovô viu a uva da vovó". Considero-me sortuda por isso: tive contato com poesias lindas desde cedo. Tenho até hoje o livro, com papel couché e ilustrações maravilhosas. Cresci com esse poema na cabeça. Verdade mesmo: nunca esqueci dele. É uma poesia para crianças, e, por isso mesmo, é direta. Sem todas aquelas sutilezas que adultos usam para escrever. "Ou isto ou aquilo" é certeiro, apesar de falar sobre coisas da infância. Quem nunca pensou em estar em dois lugares ao mesmo tempo? Quem nunca se viu diante de escolhas difíceis, aquelas, em que você fala aquela palavrinha mágica "se".

O "se" é como o "mas": nunca é bom.

"O mundo seria nosso se eu tivesse fosse rica."

"Eu faria isso pra ti, mas...."

"Eu ficaria contigo, se o alinhamento solar nesse momento não estivesse em 67º com relação à Constelação Alfa Centauro."

"Eu iria contigo, mas tenho que visitar o cachorro da vizinha da minha mãe, que está doente."

Viram? Há alguma frase em que o "mas" e o "se" foram usados para o bem? Não! Porque nunca são usados para o bem, pelo menos não para o meu bem. MEU sim, estou falando de mim nesse texto, não deu para perceber? Egoísta, umbiguista, fatalista. Não quero saber de "se". Não quero nenhum "mas". Quero a certeza, aquela certeza que ninguém tem, mas pensa ter. A certeza de ser amada, a certeza de que vou chegar em casa e haverá um e-mail, a certeza de um torpedo no meu celular com convite para uma noite de champagne, sexo e morangos. Ou certeza de promessa de uma tarde de filmes bobos, mãos dadas e olhar cúmplice. É esse o tipo de certeza que quero. Não sei se terei dinheiro em janeiro, não sei se vou ganhar presente de Natal, não sei se terei filhinhos. Não sei de tantas coisas na minha vida. Não tenho certeza de nada, quase nada. Sei que você existe, sei que ainda não li "Código da Vinci" e sei que minha mãe fala incessantemente enquanto eu escrevo.

Não quero ter certeza de tudo. Mas também não quero viver de "se". Não existem possibilidades, não há o que escolher, não há isso nem aquilo. Há a minha vida, há a minha falta de sutileza, meu excesso de zêlo, minhas contas vencendo, o amor não realizado e o desejo de viver uma história diferente. Essas são minhas certezas.
 

14/10/2004
 
Alone in Kyoto

Sonhei que minha mãe era uma fugitiva. No sonho ela se parecia com a Adriana Lessa, aquela atriz da novela das 8 mãe da Lady Daiane. Minha mãe também tinha uma filhinha de uns 4 anos e meu irmão, que tem 14 anos, no sonho tinha uns 8 (o que não o tornava mais tolerável, infelizmente). Não sei de onde saiu essa de ?fugitiva com configuração de Adriana Lessa?, só sei que ela teve que fugir pros Estados Unidos, pra uma daquelas cidadezinhas perdidas no meio do nada. Como ela foi parar lá ou por que Estados Unidos se minha mãe só sabe falar ?hello? eu também não sei. Coisas do meu inconsciente perturbado e dos meus sonhos mais perturbados ainda. Ou seriam perturbadores? Alguns sonhos meus foram tão marcantes que eu lembro deles com detalhes mesmo depois de anos e anos. Claro que minha boa memória colabora para isso, mas é realmente estranho que alguns sonhos tenham me marcado tanto. Enfim, minha mãe estava lá nos States, e estava feliz.

Eu tive que ir encontrar com ela lá porque ela não fala nada de Inglês. Fui, sem avisar a ninguém, cheguei lá sem passaporte, nem lembro de mim no avião. Chegando lá me encantei pela casa em que iríamos morar. Eu teria meu quarto novamente e um lugar bacaninha para fazer uma biblioteca e colocar meu amado computador, que, por sinal, ainda estava aqui, em São Paulo. A casa estava bagunçada e eu precisava varre-la, mas não havia nenhuma vassoura por ali. Saí da casa, que ficava numa ruazinha no alto de um morro. Eu não conhecia nada por ali, é óbvio. Normalmente eu não puxo papo com quem não conheço, mas vi uma moça passando e fui falar com ela, pedindo indicação de algum lugar onde eu pudesse comprar uma vassoura. É legal falar Inglês nos sonhos. A moça foi bastante simpática, e eu pensava se ela seria minha amiga, porque eu seria muito sozinha nos Estados Unidos. Muito mais sozinha do que aqui. Enquanto eu ia ao tal do armazém (era mesmo um armazém tipo ?secos e molhados?. Dá pra imaginar algo assim nos States? Não, né...) eu pensava em tudo que tive que deixar pra trás de uma hora para outra. Meus amigos queridos, de quem não tive tempo de me despedir. Pensava em como alguns amigos em especial reagiriam, em como eu me sentiria longe deles. Pensei em voltar ao Brasil só pra fazer uma despedida, mas eu não podia, minha mãe era uma fugitiva.

Na hora eu quis procurar um computador com Internet. Internet seria a minha salvação. ?Hey, is there a LAN house or something like this in this neighborhood?? A moça riu. ?Internet? We don?t have it. Our phone lines are a mess and the only place where you can use the Internet is in a city close to here? Entrei num verdadeiro desespero. Perguntei a ela se eu poderia ir andando até a tal cidade e ela riu. Disse que eu até poderia ir, mas que chegaria lá só no dia seguinte. Malditos americanos e suas ironias imbecis na hora errada. Comecei a chorar ao imaginar minha vida numa cidade no meio do nada americano. Longe de tudo, de quem eu gosto, da minha família que havia ficado aqui e com uma mãe fugitiva que era a Adriana Lessa, ou seja, nem minha mãe era mais a minha mãe.

Hoje pela manhã, pensando nesse sonho e em como eu o contaria no blog (neeerd!) pensei em fazer uma piadinha do tipo ?nerd até no sonho, não vivo sem Internet, bla bla bla?. Desisti. Minha sensação de solidão e estranheza quando acordei, decorrência das sensações que tive no sonho, era tão forte, que desisti do chiste. Penso muito em morar fora e tenho pensado nisso muito mais de uns tempos para cá. Preciso de um tempo só meu, viver a minha vida, seguir com ela e depois voltar, renovada. Não é fuga porque não tenho do quê ou de quem fugir. Meus problemas e minhas encanações continuariam comigo e viajariam comigo. Mas como seria estar tão longe de pessoas a quem amo tanto? Não estou dizendo que amo o mundo inteiro. Sou chata quanto a isso. No entanto, e esses poucos (ou nem tanto) a quem eu amo? Ás vezes eu me sinto muito sozinha, mas é reconfortante saber que parte da minha solidão pode acabar com um telefonema e um café perto da minha casa mesmo, ou com um e-mail bacana. Ok, também pensei que quando eu viajar terei que ir pruma cidade grande cheia de Lan houses, mas isso vocês devem ter percebido.
 

13/10/2004
 
Jetlag

Viajar é sair da realidade. É viver numa realidade paralela por alguns dias, nem que sejam poucos. Aí, quando esse tempo de ?fuga? acaba, você tem que voltar praquela velha rotina de sempre, de trabalho, estudo, família, contas a pagar, vizinho tocando a campainha, mãe falando sobre a mudança de síndico e sobre a raspagem dos tacos da sala. Não gosto de rotina. Quem gosta, afinal? Gosto do meu trabalho, de estudar, da minha família e até da minha mãe falando incessantemente. Tá, não gosto da vizinha nem das contas a pagar. O mundo podia viver sem isso. Sou desorganizada com algumas coisas, não tenho muita disciplina e a rotina acaba me ajudando a viver nos eixos, apesar d?eu não gostar de admitir isso. Mas acabei de chegar de uma ?fuga?, vivi num mundo paralelo por alguns dias. A volta à minha vidinha de sempre vai demandar um período de aclimatação. Rotina, por favor, espere mais um pouco.
 

07/10/2004
 
Alguns dos meus musos brasileiros

Esse é um blog de mulé. E eu, como mulé legítima, tenho meus musos televisivos. Aqueles que me fazem assistir novela e babar demais e ter ímpetos de me tornar atriz. Se você é homem, chato e machistão ("Ai, Camila, tá louca? Desde quando esses barbados são bonitos? Gato sou eu". Ahãm.), pegue seu ossinho e volte pra casinha.

Fábio Assunção: muso ABSOLUTO. Precisa explicar o motivo? Ele tem boquinha de cereja. Carnuda, vermelhinha, entumescida. Ele tem olhos azuis e cara de safado. Fábio Assunção tem jeito de quem gosta de beijar na boca e sabe como fazer. Tem jeitinho de quem passa hooooras beijando intensamente. E o que deve ser acordar e dar de cara com aqueles olhos e aquela boquinha? *suspiros*

Bruno Garcia: até de Wilminha, do Sexo Frágil, ele fica bonito. Até como o barbudo Pedro, daquela novela "Coração de Estudante", ele fica tesudo. É, porque ele é tesudo. Uma coisa meio "vem cá, minha nêga", mas que depois te abraça e canta Chico Buarque ao pé do ouvido. *arrepios*

Alexandre Borges: é charmoso, tem jeitinho de carinhoso, cara de sem-vergonha gostosinho. *uuui*

André Gonçalves: Não sei o que ele tem. Só sei que ele tem em grandes quantidades. Ele transborda "sei lá o quê". Sendo Sandrinho ou na Casa dos Artistas, ele consegue. Tem jeito de que manda muito bem. *acabou o estoque de palavrinhas*

Pois é, pode ser que no futuro eu me arrependa desse post tão... sexual. Mas fazer o quê. Enquanto não arrumo um muso pra chamar de meu, me divirto pensando nos musos dos meus sonhos.

 

06/10/2004
 
O karma dos homens-com-nomes-estranhos - ou - HONES pra lá, que esse corpo não te pertence!

Durante uma época da minha vida eu só me apaixonava por um determinado nome. Sei lá como, só os Beltranos se aproximavam. Aí eu apaixonava pelos Beltranos. E dá-lhe chorar por Beltrano, falar com Beltrano, escrever pro Beltrano, e aí por diante com o Beltrano, com a graça dos céus. Como tanto beltrano me traumatizou, prometi a mim mesma que fugiria deles. Estava decretado o fim da 'era Beltrano'. A partir daquele dia, somente Fulanos e Ciclanos. Mas qual o quê! Os anjos não entenderam bem as minhas preces e começaram a me mandar Asclênios, Gestrobaldos, Vandisclêisons e, quem diria, Epaminondas. Nomes estranhos, de origem grega, russa ou mente insana de alguma mãe que comia grama ao invés de comida. Um dos moçoilos tinha um nome que permitiu um trocadilho pavoroso envolvendo a palavra 'clitóris'. Não foi legal. Tantos nomes estranhos me permitiram criar uma categoria de homens: os homens-com-nomes-estranhos, ou, simplesmente, HONES.

Pois bem, a partir de hoje está DECRETADO o fim da ERA HONES na minha vida. Chega de nomes estranhos. Não pelos nomes e trocadilhos que invariavelmente são feitos, e sim pelas seqüelas que os hones deixaram em minha vida. Sim, porque eles têm nomes estranhos e SÃO estranhos. Deve haver algum tipo de relação entre o nome e o jeito de ser, com certeza. Uma pessoa que cresceu ouvindo piadinhas do tipo 'seu nome é molho inlgês' ou 'puxa, seu irmão se chama Wildson? E eu que achava que seu nome é que era estranho...' não cresce de maneira normal. Os hones não têm um comportamento pré-determinado mas, invariavelmente, agem de maneira incongruente e absolutamente sem noção.

Um hone pode sair contigo uma vez na vida, te considerar A mulher e sofrer (é, sofrer) durante meses porque você não o incluiu na vida dele. Na verdade, você não incluiu porque ele beija babado, e baba é tudo o que você não precisa. Mas esse hone é legal, e você liga no dia do aniversário dele, que, desvairado, quase desliga na sua cara dizendo algo do tipo 'você não me aceitou como homem em sua vida, não me venha com prêmio de consolação, se eu não sirvo como namorado não sirvo para receber sua ligação no aniversário'. Ok, Altolfo Asclécio, agora desce do palco e tira o pó de arroz da cara.

Um hone pode também iniciar um relacionamento intenso contigo, uma coisa louca de querer te ver todo dia, e, de repente, enjoar. É, enjoar, de uma hora para outra. Vocês estavam levando uma vida de namoradinhos, já que ele morava sozinho, e aí ele acorda decidido a te excluir da vida dele. E te exclui, sem direito a nada, nem ligação no dia do aniversário. Cruel.

Um hone pode viajar contigo e com seus amigos e ser O namorado. Mas aí ele desconfia que você está de caso com seu ex, ali, na mesma casa. Ou seja: ele te acha uma rapariga sem gabarito. Pois bem, o hone dá chilique, se joga no chão, só não te joga na parede. Depois pede desculpas. Você, louca apaixonada, acredita. Aí o hone resolve te cercar de novo. Cercar, sim, já que anos mais tarde ele confessa que chama as 'mulheres dele' de 'cabritinhas'. Bé. Mas o hone não fode nem sai de cima, e, não mais que de repente, começa a namorar OUTRA! Você, sem vergonha nenhuma na cara lavada SE permite manter apaixonada por ele por dois longos anos. Dois anos de idas e vindas. Aí você decide desencanar. 'Chega', grita seu coração apaixonado (fundo musical de Julio Iglesias). E realmente chegou pra você. Mas não pro hone, que descobriu que tu és divina e graciosa. Tu és a estátua majestosa do amor por Deus esculturada. Ele te quer, gata. Quer te pegar no colo, te deitar no solo, ele quer te amar e fazer um amor gostoso. Béééé.

Por fim, um hone pode parecer o homem que você sempre pediu a Deus. Interessante, descoladinho, engraçado, inteligente, bobo a ponto de rir das suas piadas. Um hone que faz você cair de quatro e sair engatinhando até a Venezuela. Um hone que te tira o fôlego, que te escreve, te liga, conversa com as suas amigas, é gentil. Um hone que dança contigo. É: d-a-n-ç-a contigo. Uma loucura. Vocês estão felizes, vocês parecem apaixonados, vocês fazem planos de viagens bucólicas para comer fondue (com trocadilho). Mas um dia esse hone dorme com a bunda descoberta e, logo cedo, ao invés de 'bom dia, flor do dia' ele diz 'melhor pararmos por aqui. Acho que ainda não esqueci minha ex'. ÃH? CUMA? EX? Mas ontem fomos jantar fora. Anteontem fomos ao cinema. Nem a pau, Juvenal! Você chora, desconsolada. Suas amigas, que o conheceram, acham que ele enlouqueceu, tomou chá de cogumelo, comeu bosta: porque NINGUÉM muda assim, de uma noite pra manhã seguinte. No entanto ele é hone, e hones são incoerentes. 'Nossa, essa ex deve ser uma potranca louca na cama e a reencarnação da Marie Curie fora dela'. Rá rá rá. Quanto à cama eu não sei e nem quero saber. Mas quanto à inteligência... Hum... Er... É pra se rasgar.

Depois de tudo isso, tenho ou não tenho razão em querer que toso os hones fiquem a anos-luz de distância de mim? Pois então, a partir de agora, só João. José. Pedro. Lucas. Wildsglêidsons nunca mais.

 

05/10/2004
 
Quéio colo

Eu dou aulas todos os dias à noite. O que significa que durante o dia, geralmente, estou em casa. Isso me possibilita assistir desenhos animados pela manhã: sou fã absoluta de Homem-Aranha e X-Men. Minhas manhãs são um mergulho na minha infância, quando eu estudava à tarde e ficava com minha avó lindona até a hora do almoço. Era tão bom saber que a única responsabilidade da minha vida era estudar... Pena que a gente só tome consciência dessas coisas boas quando elas passam. Minha avó morreu quando eu tinha quase nove anos e, depois disso, eu ficava sozinha pela manhã. Não que fosse ruim, mas me faltava aquela coisa de me sentir protegida por alguém. Já nem lembro mais da última vez que tive essa sensação gostosa de aconchego, porque a verdade é que eu sempre tive que me virar sozinha. Minha mãe sempre trabalhou, depois veio meu irmão e eu tive que assumir responsabilidade de segunda mãe aos 13 anos de idade. Sabem aquela coisa de adolescente, de sair do colégio, ir pra casa almoçar e depois vagabundear por aí? Não me lembro de ter tido isso. Sempre responsabilidades, sempre coisas a fazer, sem contar minha neurose por notas altas, que me fazia esquematizar cronogramas de estudo para a semana inteira. As responsabilidades continuaram e continuam até hoje, é claro. Querer ?vagabundear? aos 25 anos chega a ser patético. Adoro ficar sozinha, não preciso nem da TV ligada pra me fazer companhia. Tanta responsabilidade numa pré-adolescência e adolescência mal vividas me tornou uma adulta ?incompleta?, cheia de buraquinhos que deviam ter sido preenchidos com aquelas vivências que não tive. Talvez por isso às vezes eu seja dominada pelo espírito do besteirol. Freud deve explicar isso, eu não estou a fim. Mas a verdade é que lá no fundo eu sinto falta de um colinho despretensioso. Aquele colinho que avó dá, que pai dá, que namorado legal dá. Tenho orgulho da minha independência. Faço tudo o que preciso sozinha, decido coisas, mudo minha vida, mudo meu jeito, tudo quando quero. Só que a sensação de aconchego de um colo quentinho tem me feito muita falta. Umas das coisas boas de ser criança é a espontaneidade de chegar e pedir o que quer: ?Ei, quero colo?. Não pretendo enterrar meu lado ?criandolescente?. Por isso, se você for meu (minha) amigo (a) e eu chegar pedindo colinho, já vou avisando: nem se assuste!
 

04/10/2004
 
Politicamente Incorreta

Eu sou totalmente favorável a caixas preferenciais para gestantes, mulheres portando bebês e/ou crianças de colo, idosos e deficientes físicos. Sou mesmo. Na fila do banco eu peço pra passar na minha frente, no busão eu levanto pra pessoa sentar. Acho isso obrigação. Mas hoje, no banco, a fila andou rapidinho até a minha vez. Aí Murphy chegou e apareceram grávidas e idosos. Vários. Fiquei mais de uma quarenta minutos parada, esperando os dois caixas lerdos atenderem todo mundo. Havia somente dois caixas funcionando, ambos lesmas mancas. Ah, fiquei mal-humorada. Humpf.
 

02/10/2004
 
Desabafo bem tardio

Essa semana me lembrei da minha ex ?companheira? de trabalho. Nunca falei dela aqui. Não falava antes porque meu ex chefe lia (ou lê?) meu blog, e eu não queria que parecesse fofoca. De fofoqueira, bastava ela. O fato é que essa mulher infernizou meus dois últimos meses na empresa me perseguindo com coisas pequenas e tornando meu dia-a-dia mais suplicante do que já era. Como essa semana sonhei com ela sei lá por que, decidi falar sobre ela. Quem sabe escrevendo aqui a lembrança dela saia da minha cabeça e eu não sonhe mais.

Ontem foi dia da Secretária. Talvez por isso tenha me lembrado dela, que vivia falando que havia sido secretária do diretor. Havia mesmo. Palmas para ela. Aí mudaram ela de departamento e colocaram-na numa das áreas pela qual meu ex chefe era responsável. Fecharam meu departamento, eu queria ter sido mandada embora mas tive que me segurar por mais um tempo lá por causa de dinheiro; e me transferiram para trabalhar com ela. Comecei mal. Comecei querendo sair, comecei querendo nunca ter começado. Comecei sim, com má vontade. Não era mesmo fácil conviver comigo, porque eu era um poço de melancolia e insatisfação. Não sei MESMO ser hipócrita, portanto, quando me perguntavam se eu estava feliz, eu respondia que não.

Durante meses eu ouvi alfinetadas de que devia me sentir profundamente agradecida por estar empregada. Tinha vontade de mandar meio mundo para a casa do caralho, já que eu não estava amaldiçoando meu emprego: estava apenas consciente da minha insatisfação e queria mudar de vida. Fico impressionada com a inércia humana. Está achando o emprego um saco, mas ao invés de se mexer e procurar outra coisa, se acomoda e fica pensando ?ah, mas aqui tem plano de saúde, ah mas o mercado de trabalho está difícil, ah eu vou ficar desempregada?. Então contente-se com sua existência medíocre e não reclame de quem ambiciona outras coisas. Não nasci pra ser medíocre, não nasci pra me adaptar por muito tempo ao que me incomoda. Quando eu tentava explicar meu ponto de vista, era olhada com desprezo. DESPREZO mesmo. Do tipo ?ai, nossa, você se acha tão melhor?. Eu nunca ?me achei?, nunca fui metida, até na minha melancolia eu era ?na minha?. Hoje em dia eu olho pra trás e vejo como eu engoli sapos que não precisava e que sim, eu sou melhor mesmo. Foda-se se você acha o contrário.

Também essa semana me questionei sobre os limites da sinceridade. A verdade é única e indiscutível, mas e a sinceridade, tem limites?? Com essa mulher eu fui sincera o tempo todo. Eu podia ser calada, melancólica, distraída, chata; mas nunca fui desonesta. Acontece que sei lá por que caralhos voadores ela resolveu que iria implicar com TUDO, absolutamente TUDO que eu fazia. Síndrome de chefe. Como ela sabia todo o serviço, ficava a cargo dela verificar se estava tudo correndo bem. Mas tenho certeza que meu ex chefe NUNCA delegou a ela poder de me corrigir de maneira tão mesquinha como ela fazia. Ela bisbilhotava todo e qualquer e-mail que eu mandava para os clientes. Quando achava algum erro, me mandava um e-mail fazendo uma correção. Ou imprimia o e-mail e corrigia com caneta hidrocor vermelha, deixando o papel sobre a minha mesa para eu ver quando chegasse logo cedo. As correções dela eram bem legais, do tipo: não diga ?Prezado Sr. Fulano, bom dia?. É, não podia ter ?bom dia?. Acabei virando bode expiatório: tudo o que acontecia de errado, a culpa era minha. Em alguns momentos fui uma puta mosca morta, podia ter tido siricoticos homéricos por conta desse desrespeito..

A partir do momento em que tudo o que você faz está ruim, errado, que tudo o que você faz é vigiado e você é tratada como subordinada por uma mulher que tem uma satisfação mesquinha em achar que mandava em mim; sua existência se torna um inferno. Minhas vírgulas não eram tão boas quanto as dela, nada do que eu fazia era bom o suficiente, e chegou ao cúmulo dela corrigir meu português. Não ADMITO que uma pessoa que conjuga verbos de maneira errada (?eu tinha chego?) venha me corrigir. Frescura ou não, só aceito ser corrigida por quem sabe. Meu ex chefe é professor de português: ele pode. Meus amigos são fodões: eles podem. Ela é uma mulher que sempre se esforçou na vida mas tinha todo um problema em achar que eu queria o lugar dela (pfff) e ainda por cima fala errado: ela NÃO pode.

De tudo fica a certeza que as pessoas são legais até o momento em que lhes aparece a oportunidade de dar vazão a suas pequenezas. Fico pensando como devia ser satisfatório para essa senhora encontrar agulha em palheiro, no MEU palheiro, logo eu, que sempre fui muito elogiada. Devia ser uma satisfação diária. Uma satisfação grotesca. Talvez nem ela se desse conta, talvez tudo fosse meio inconsciente. Mas, para mim, é lamentável que uma pessoa precise ter a sensação de rebaixar o outro para se sentir ?alguém?. É tudo pequeno demais. Sei que há milhares de pessoas como ela no mundo, e que outras passarão pela minha vida. Só que hoje em dia tenho a CERTEZA de que nunca mais vou admitir passar por situação semelhante.
 

01/10/2004
 
Me joga na parede, me bate, me chame de bizunguinho!

- Isso, teachêêêr. Pode brigar. Pode me dar bronca, que eu goooooosto...

(Um aluno meu, num momento masoquista e obviamente fora de hora)
 

30/09/2004
 
O fubá do meu angu - ou - Novo (velho) amor

"(...) Dava para confiar em Artur à primeira vista. Por isso as mulheres sempre gostaram de Artur, não porque ele fosse bonito, porque não era escancaradamente belo, mas porque olhava para você com um interesse genuíno e óbvia benevolência. Tinha um rosto forte e ossudo, cheio de entusiasmo, e fartos cabelos castanhos escuros (...). Os olhos eram castanhos, ele tinha o nariz comprido e maxilar forte, totalmente raspado, mas a característica mais notável era a boca. Era muito grande e cheia de dentes. Ele tinha orgulho dos dentes e os limpava todos os dias (...). Era um rosto grande e forte, mas o que me impressionou mais foi aquele olhar de gentileza e o humor maroto dos olhos. Havia um ar de diversão em Artur, algo em seu rosto que irradiava uma felicidade que envolvia os outros em sua aura (...) era simplesmente Artur, um homem bom e com uma confiança contagiante, uma vontade impaciente e uma decisão de ferro. Você não percebia essa dureza a princípio, e até mesmo o próprio Artur fingia que ela não estava ali. (...)" ("O Rei do Inverno", Bernard Cornwell)

Depois de ler esse trecho em especial, entendi tudo. Minhas dúvidas quanto à minha vida sentimental, meus questionamentos quanto aos "por quês" e "como assins" da minha existência dissiparam-se. TUDO FAZ SENTIDO! Eu sou solteira, sem affair, cheia de casos complicados e alguns mal-resolvidos porque minha alma gêmea não me encontrará nessa encarnação. Minha alma gêmea viveu e morreu há séculos.

Sou LOUCA pela história do Rei Artur, sempre fui. Já li "Brumas de Avalon" algumas vezes e fiz algumas pesquisinhas insignificantes sobre o assunto. Nunca havia parado pra pensar em como o Artur é fabuloso. Másculo. Forte. Homem com H. Meu xodó era o Lancelot, mas depois achei ele meio covardão, e detesto homem covarde. Além de ser indeciso: ele amava Artur ou Guinevere? Agora, Artur era HONRADO. Ninguém sabe o que é honra hoje em dia. Nem devoção.

Eu nunca queria ter vivido na Idade Média porque eram todos fedidos e com dentes podres (motivos torpes? Sei... Vai beijar uma boquinha que NUNCA foi higienizada, vai... Vai fazer lesco-lesco com alguém que toma banho uma vez por ano...). Mas por Artur eu viveria num daqueles castelos esfumaçados, passaria frio, comeria mingau de aveia o tempo todo e tentaria pronunciar nomes como "Gwyfiddifyh" ou "Hywegflt". Por Artur, só por Artur.

Artur, love of my live, my beloved, wait for me in heaven!

 

26/09/2004
 
Constatação

O mundo pertence aos ardilosos. Agora eu entendo por que sempre fui pobre.
 

 
Não pense que é covardia, é apenas timidez

Queria ser mais sociável. Minha timidez, já declarada em alguns poucos posts, é sempre desacreditada pelas pessoas. Meus amigos nunca acreditam nela. Pobre timidez minha... Gente que me vê dançando, conversando, conversas geralmente entremeadas por uns palavrõezinhos e algumas piadinhas nonsense, não acredita o quanto eu já fui tímida e o quanto ainda há dessa timidez em mim. Tenho pavor de ter que puxar assunto com alguém que não conheço, seja lá onde for. Tenho pânico de ter que acabar por falar do tempo ou qualquer outro assunto clichê e a pessoa, com razão, me achar uma palerma. Claro que esse medo todo não me impede de ter vida social, muito pelo contrário. Muito menos de conhecer gente nova e fazer novas amizades. Mas, toda vez que estou num ambiente desconhecido, com pessoas desconhecidas, ouço a Camila adolescente, feiosa e medrosa, gritando dentro de mim: ?eeeeiiiii, não fala nada não, vão te achar sem graça!?. Porém, além de tímida eu sou muito teimosa e acabo falando com o/a desconhecido/a. Que capta as ondas eletromagnéticas e fantasmagóricas da Camila adolescente e acaba, invariavelmente, por me achar meio sem graça ou estranha. A verdade mesmo é que, assim como todo adolescente, a Camila adolescente que mora dentro de mim é muito cruel.
 

Eu digo
"Respeito muito minhas lágrimas,
mas ainda mais minha risada."

(Vaca Profana - Caetano Veloso)


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