"Quero um coração novo em folha. Por favor, tirem esse coração de mim."
São Paulo é uma cidade imensa. Uma megalópole. Com trocentos lugares onde se ir à noite. Mesmo que você freqüente os mesmos lugares que as pessoas do seu círculo de conhecidos (e em São Paulo nós sempre temos zilhóes de conhecidos), pode ser que você nunca encontre ninguém, porque vai cada um num dia diferente. Segundo o matemático Oswald de Souza, as chances de encontrar alguém significativo pra você na balada é de uma em 500.000. Ok, é mentira, o Oswald de Souza nunca faria uma estatística retardada dessas. Mas todos sabemos como algumas coisas são improváveis.
Ainda mais numa noite onde você estava sem fazer nada com
sua amiga ; onde você já tinha dito aos americanos que não sairia. De repente, vocês decidem: vamos ao Na Mata? "Mas eu vou assim mesmo, Maninha?" "Claro, Cá, sem problemas... Desencana..."
E lá fomos nós, felizes e saltitantes. Bom, eu adoro o Na Mata, a Aretha foi, e ela é fofa, enfim, a noite "ia ser boa, de tudo ia rolar..." hahahaha, brincadeira... Só que eu, com minha intuição filha-da-puta (e nem comentei isso com a Mana na hora) pensei: acho que vou encontrar o "Mineiro" aqui.
Mineiro, o meu ex mesmo, de quem eu sinto saudades. Pensei que ia encontrar e encontrei. Inacreditavelmente ele estava lá. Chegou bem depois de mim, e eu o vi quando estava na fila para pagar. Eu estava de costas, e, no exato momento em que me virei ele estava entrando no banheiro. Claro que fui falar com ele. Tremendo mais que vara verde em tempestade.
E isso é que é péssimo. Eu demonstrei um nervosismo fora do normal. Que merda, eu detesto ser assim tão espontânea às vezes. Nós conversamos um pouco, afinal, eu já estava indo embora... Blá blá blá, mas eu fiquei tão fora de mim que não lembro de quase nada do que falamos. Lembro que a gente se abraçou, lembro que ele disse que eu estava muito bem... Claro que estou bem, a vida segue né?! Saudade não é impedimento pra nada... Não tenho muito o que falar sobre isso. Duas pessoas que se encontram pela primeira vez depois de terminarem. Totally weird. Ou melhor, eu é que sou uma weird, agi como tonheba. Por que não dei uma de garota pop-descolada? Ai, Jesus, Camila, vai ser tonheba assim em outra encarnação. E ele tava meio sem graça também, mas desempenhou bem o papel de homem-desencanado-que-sai-na-balada-e-encontra-uma-ex.
Voltei para casa querendo que arrancassem meu coração. Ele estava tão apertado que eu estava até entalada.
CU. Só isso que tenho a dizer. As coisas podiam ser mais fáceis. Eu podia ser menos sincera.
Mas só digo, pra finalizar: ainda bem que ele não estava com ninguém. Isso sim, seria chocante.
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Tenho uma caralhada de provas pra corrigir e enviar até sexta pra Instituição. Isso means que estarei meio fora de ar...
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Tem coisas que só a Philco faz pra você. E tem coisas que nem Freud explica.