Chegou o que vocês mal podiam esperar que fosse publicado! SIIIMMM!!! Mais uma história de um boboboy!!!! Você vai chorar (de raiva), vai se divertir (vai ser anta assim lá na terra dele), vai se emocionar (a heroína deu a volta por cima)!!! É com grande prazer que apresento...
Deus e a Diaba na Terra do Pão de Queijo – ou – O Dia em que Deus perdeu pra Capeta
Roseâmely entrou na sala de aula da faculdade absurdamente e incontrolavelmente eufórica:
- Galera, fiquei com o homem mais gato daqui. Não. O homem mais gato do muuuuundo!!!
E enquanto as amigas decidiam se davam água com açúcar para ela se acalmar, ou se jogavam a água na cara dela, Roseâmely (Rose, para facilitar minha escrita) abriu a torneirinha de palavras:
- Meninas, beijei o PEDRO. Aquele tudo-de-bom! Aquele monumento. Aquele Adônis reencarnado. Aquele...
- Não acredito Rose! O Pedro ternurinha? (ele tinha esse apelido por ser gostoso e meigo)
E aí começaram as perguntas:
- O quê? Aquele da pele morena açúcar mascavo? Aquele do cabelo liso e preto e sedoso? Aquele Deus índio?
- Sérioooo? Ai, aqueles olhos cor de mel.... Aquela boquinha de cereja transgênica...
E, enquanto contava a história, Rose ia se lembrando: Pedro começou o ritual do pré-coito através do mais óbvio: olhares penetrantes. Bastava ele olhar, e ela já acionava internamente a manjada musiqueta da novela das oito em seu íntimo (pela luz dos olhos teus, bla bla bla).
Foram dias de olhares pelos corredores da faculdade. Ai, aqueles olhos nus, aqueles raios de luz... Depois começou a conversinha pra boi dormir. “Eu estudo Ciências Sociais, e você” “Você gosta de ler?” “Você quer me beijar?” – e Rose até gostou desse ímpeto caçador do rapaz. Afinal, por que fazer charme? Com 99% das mulheres pagando um pau por Pedro? Imagina...
E o beijo. Ai, o beijo. Aquilo não foi um beijo. Foi um turbilhão. Foi um caminhão da Roto-Ruter invadindo seu ser. Parecia comemoração do Penta na copa do mundo dentro dela. Que boca! Que lábios! Que abraços! Que mãos voluntariosas! Ui!
As amigas, estupefatas e com aquela pontinha de inveja, sorriam para Rose. Claro que pensavam o clássico “o que ela tem que eu não tenho?”, mas a felicidade da amiga era contagiante.
- Cuidado que ele é cafa, viu? – disse uma.
Mas Rose nem deu ouvidos. Ele era demais, e ela sabia se cuidar. E ficaram umas duas semanas no festival da agarração. Os cantos da faculdade pareciam ringues de luta-livre. Era se encontrarem e já se atracavam, com beijos insaciáveis e fogo, muito fogo.
Mas Rose resolveu segurar o tchan. Beijos roto-ruter e mãos, tudo bem. Mas dar, agora, nem pensar.
Na terceira semana, Pedro começou a mudar. Parecia impaciente. Sem contar que a mulherada, que tinha dado uma trégua nas duas semanas anteriores, voltou a ciscar em volta dele. E ele parecia um galo carijó. Elas rodeavam e ele estufava o peito, orgulhoso de si. Rose achou que estava implicando. Até que, ao ir procurá-lo na sala dele, ouviu uma conversinha do tipo:
- Aê Pedrão, dando uns pegas na mulézinha, hein? Aquela Rose é uma gostosa.
- É, mas tô cansado de ficar no zero a zero.
- O quê???? Ela não liberou?
Rose ouviu então a voz do mais chauvinista de todos os machos do Universo:
- O Pedrão nem passou o babão na mina ainda? HUAHUAHUAHUAHUA
E então, achando que nada seria pior que isso, ela ouviu:
- Ah, vou acabar desencanando. Sou muito novo pra investir tanto numa mina só. Além disso, mulher no mundo é o que não falta. Tô cheio de mulher dando o maior mole. A Rose tá na minha, total. Mas ela não é nada pra ficar me negando.
Rose ficou azul de raiva. Queria cometer um Pedrocídio. Mas a morte seria pouco. Ela teria que torturá-lo. Fazê-lo sofrer. Ela então controlou seu instinto assassino e não entrou na sala fazendo escândalo. Fez melhor: foi pra casa. Mas antes, deixou um bilhetinho com um amigo dele:
- Oi Zé, entrega pro Pedro?
- Claro gatinha!
E lá foi o Zé:
- Pedrão, tua mina pediu pra te entregar.
E Pedro leu em voz alta:
“Pedro, me liga à noite. Você me deixa louca! Beijo na boca, Rose.”
O chiqueiro inteiro grunhiu. Os porcos amigos de Pedro chafurdavam em volta dele, como se tivessem acabado de receber a ração do dia. Rose, em sua cama, pensava como um cara podia agir assim. Como ainda existiam homens nojentos assim. E a emancipação feminina, o respeito, onde ficam? Pensou naquela carta do War: conquistar todos os territórios; Ela estava cansada de lidar com caras que pareciam estar jogando uma versão desse jogo, como se as mulheres fossem os territórios. Meros acúmulos de material, apenas para satisfazer o apetite de jogador desse tipo de homem. Sim, o objetivo deles era acumular. Mesmo que depois nem saibam o que fazer com tanta mulher. Pior é que eles sempre sabem. Esse tipo de homem só quer encaçapar, nada mais. Ela tinha vontade de gritar com Pedro. Mas decidiu que não valia a pena. Tudo o que ela falasse serviria apenas para ele fazer cara de “cachorro em dia chuvoso de mudança”, pedir desculpas, e, internamente, se gabar de como tinha feito ela ficar brava. (boboboys têm uma satisfação anormal em irritar mulher, ou fazer a mulher fazer ceninha de irritação)
E aí o telefone tocou:
- Alô?
- Oi... sabe quem está falando?(típica pergunta profundamente arriscada e típica de um boboboy...)
- Sei sim, eu te pedi pra ligar. Tudo bem?
- Tuuuuuuuudo(gays e boboboys adoram prolongar as vogais)
...E aí, o que você está fazendo?
- Estou assistindo "O Corvo". E você?
- Aaaaaaaaaaaaah... que peeeeeeeeeeeeena... (viram?)
Ia te fazer uma proposta... Mas por que você pediu para eu te ligar?
- Não era nada... Mas qual é sua proposta?(já percebendo a presepada...)
- Sabe o que é? é que eu estou aqui em casa, tãaaaaaaaaao soziiiiiiiiiiiiiiiinho... meus pais viajaram, minha irmã saiu... e eu estava aqui pensando em você.(e Rose pensando: catzo! que merda é essa???)
- E...
- E se você viesse pra cá, correria um sério risco de eu querer te seduzir....
- Ah, é? (E Rose com as sobrancelhas quase encostando na raiz dos cabelos de tão levantadas)
- É... ia te fazer uma massagem (truque velho...)
e eu sou muito bom nisso...
- Hum... Imagino... Mas é que nem rola, porque já está tarde e eu quero acabar de ver esse filme pela segunda vez...
- ... Tem certeza? Segunda vez?
- Tenho. Sabe como é. Eu amo esse filme, e o ator principal morreu de verdade na cena dos tiros. Faz o seguinte: amanhã a gente se fala na facul.
- ... ( ele obviamente sem reação. afinal ele é o deus da mulherada...)
Então tá...
- Faz o seguinte: liga praqueles seus amigos com quem você estava conversando tão alto hoje na sua sala!
- tututututu...
Depois desse dia, os únicos olhares que Pedro lançou à Rose foram olhares de raiva. E ela, por sua vez, o olhava com desprezo e cantarolava baixinho para ele: “ela pegou meu coração, rasgou, moeu, triturou, deglutiu, comeu. O meu.” Ainda que ao invés do coração, ela tenha rasgado o ego dele. Mas às vezes, o ego ferido dói muito mais.