Até os saquinhos ZIP com fecho hermético se abrem.
Ando muito fechada em meu mundinho. Posts com múltiplas interpretações, recados para não se sabe quem, musiquinhas do tchan e até pontos. Não, não tá nada “amarrado” e nem “macumbado”, embora todo leitor do meu blog receba um raio de descarrego toda vez que lê isso aqui. Pois bem, resolvi dar uma rápida pausa nesse momento tão meu, nesse meu “fantástico mundo de Bobby intimista” e lhes contar mais uma dos...
BOBOBOYS Oh yeah, babe!
Nem boboBOI dorme com essa conversa – OU – Admitir nunca, render-se jamais!
Lisbela era uma contente feliz fotógrafa de uma revista. Não tão feliz, porque ela rea meio o “Bombril” de lá, e tinha múltiplas funções. Além disso, era uma revista sobre o fantástico mundo rural, e ela era cosmopolita até o último fio de cabelo. Tudo o que ela mais gostava era andar pela cidade, a pé, ou então de carro à noite, e respirar fundo todo aquele monóxido de carbono intoxicante. Ela até gostava de praia, de campo, mas por alguns dias. Não queria nem saber a diferença entre cabrito e bode, embora isso seja reamente de pouca importância para o curso natural da vida terrestre. Não gostava de leite recém ordenhado, nem de cheiro de terra molhada pela chuva, e muito menos de andar com medo de pisar em bosta de vaca (se bem que em São Paulo os donos dos cachorrinhos desempenhem papel semelhante ao não limpar os excrementos de seus bichinhos).
E lá estava ela, Lisbela, linda, olhos azuis, cabelo modernoso, calça super pop, bolsa da Adidas – numa espécie de laboratório rural, vendo e fotografando o fascinate mundo da inseminação artificial. Em GALINHAS. Sim, nada de potrancas e alazões. Fotografar galinhas. Que legal. U-hu. Galinhas por galinhas, ser fotógrafa de Caras deveria ser mais interessante. Puro amargor. É que trabalhar para a revista “Criações e Criaturas” era quase um suplício. A começar por esse nome horrendo. Mas pobre é assim: sempre uma merda. Trabalhar é necessário... E Lisbela seguia sua vida, fotografando galináceos, cagando, andando e sendo aplaudida.
Mas essa filosofia de “cavalo em dia de parada” foi repentinamente interrompida. Numa 2ª feira, depois de uns dias de folga, ela entra na redação e ao invés dos “há uma nuvem de lágrimas” e “toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino” habituais do seu vizinho de “baia”, ela ouviu Chico Buarque. Construção. Cuma?! Onde será que estava aquele projeto de cowboy do asfalto com anemia que era seu companheiro de trabalho? Aquela tentativa frustrada de cruzamento entre um peão meia-boca, fotógrafo de folhinha de borracheiro e “bédi bói” raquítico?
Lisbela olhou bem e não achou nenhum ser com bota de bico fino, calça atochada dividindo o saco e camiseta do Greenpeace. Ao invés disso, achou um cara até que pintoso, simpático e com lindos olhos azuis esverdeados. Mais azuis que os seus, inclusive. Ela até respirou fundo:
- Oi... Quem é você, que mal lhe pergunte...
- Oi, sou César, seu novo companheiro de trabalho. O Wanderson resolveu abandonar tudo de uma hora para outra e ir pro sertão de Goiás. Espero que não seja a úrrrtima viagem. Hehehehehe
- (trocadilho besta detected. Trocadilho besta perdoado. Esses olhos merecem perdão) Oi, prazer, Lisbela.
E a partir daí, trabalhar se tornou até que interessante. Além do bom gosto musical, César era inteligente. E ótimo companheiro de trabalho. E... estava dando umas indiretas para ela. Ele não era muito bonito, mas era muito charmoso. E aqueles olhos azuis da cor do mar... Ai...
Tudo começou com gracejos. Ele gracejava com ela, ela achava graça (dã). Afinal, essas firulas eram
só com ela. Eram elogios discretos, olhares agradáveis, gentolezas... Depois vieram os papos via messenger. Ele tinha sempre um fregezinho, uma atenção; e, ainda por cima, escrevia muito bem. Fora o clima em alguma viagens rápidas que fizeram para fotografar a ordenha passo a passo. Se bem que, com o César, ela fotografaria até o ritual de acasalamento das drosófilas quadro a quadro.
Depois de muito tempo, ele começou a chamá-la para sair. Teatro, cinema, shows, até viagem para a casa de Parati que ele tinha. Tudo o que ela gostava. E os convites eram sempre, todos os dias, insistentes. Lisbela ficou até atordoada. Se via dividida entre a ética profissional e lençóis amassados depois de uma noche de fiesta. Arriba! Ponderou: sou adulta, ele também. Somos solteiros, livres e desimpedidos. Ao menos, ele nunca nem mencionou ter um casinho sequer. Que mal há? Na próxima, vez, aceitaria o convite.
Feliz da vida pela decisão de enfiar o pé na jaca, resolveu ir enfiar previamente o pé na pista de dança do
Urbano. Numa segunda-feira, que é a melhor noite. Uma diliça, música boa, muitos caras gatos. E vocês sabem: nada como ser xavecada diariamente para se sentir poderosa. Entrou, deu umas voltas pelo ambiente, e foi pra pista ver o show. Estava babando pelo trumpetista (afinal, a César o que é de César, mas olhar aquilo tudo não era pecado) gatésimo quando levou um susto. Bem à sua frente, mas sem vê-la, estava César. “É hoje que dou uns catos nesse moço, amiga!” – disse à sua amiga companheira de aventuras.
Foi então que... Cenas dos próximos capítulos: será que Lisbela vai agarrar o moço? Ser agarrada por ele? Liberar dele toda a testosterona que ele disse ter?
(Aguardem, mais tarde, a continuação dessa emotivante história)