10/06/2003
 
Pecado capital

Santa C&A do Crédito Vitalício!!

Eu confesso. Acabei de pecar. Pecar contra minha conta bancária e contra minha mísera poupança. Num ato de insanidade consumista, numa volúpia que só pode ser explicada através de análise, acabei de gastar um dinheirinho comprando peças ma-ra-vi-lho-sas. Já que não vou comprar presente com namorado, e essa é uma das vantagens de se estar lonely lonely, baby, resolvi "presentear-me a mim mesmo a nível de pessoa única e pessoal". Saia comprida e vaporosa, calça justa de trabalhar, calça jeans preta de fazer qualquer coisa, blusa de manga larga verrmelha, meias e calcinhas de algodão. É, é verdade que mulheres guardam aquelas calcinhas mais bonitas e de renda para dias de festa. E ainda falta uma bota de cano alto. Alguém me segura. Sou a única mulher que não gosta de fazer compra com amigas (odeio), mas que gasta mais quando está só a andar pelo Shopping Ibirapuera. Ai ai... Minha conta bancária já está a gritar.

Mas querem saber? Eu precisava de umas coisinhas mesmo. Tenho roupas que uso desde o inverno de 1900 e vovô criança.
 

 
De coração pra coração

O "eu só quis dizer" entra em ritmo, ritmo de festa. Digo, ritmo de dia dos namorados, já que essa semana é a semana dos corações apaixonados. Provavelmente, voltarei a tocar no assunto, já que sou bombardeada diariamente com propagandas de casais se engalfinhando no sofá pela TV. Mas fiquem tranqüilos pois não vou encher meu blog com aquelas coisas horrendas de gifs animados de coração que ficam pulando de um lado pro outro (desculpe quem gosta, eu não curto). Eu sou solteira, não estou apaixonada por nenhum rapazola, mas por que não homenagear os pombinhos do planeta Terra? Comecei com a frase que vocês podem ler ao abrir o blog: um verdadeiro primor da poesia nacional, essa frase já ocupa em minha vida quase o mesmo espaço de "gata, você é o fubá do meu angu, caroço da minha azeitona, don't talk just kiss, létis meiki lóve".

E como não sou mercenária, atenção: moços mui guapos que quiserem me mandar presentes, estejam à vonts. Mandem um emeiozinho, que a gente conversa. SOBRE O PRESENTE, claro. Sobre os parangolés que possam, eventualmente em suas mentes putrefatas, envolver uma entrega de presente (algo do tipo toma lá, dá cá), digo: o que vale na vida é o receber, o doar-se de coração (vc doa o presente, eu recebo) sem esperar NADA em troca, além de muito afeto e amizade eternas. Paz e amor no coração de vocês, e eu gostaria muito de ganhar flores.
 

09/06/2003
 
Odeio segundas-feiras

Quando Deus fez o mundo, deveria ter criado um método eficaz de tornar as segundas-feiras agradáveis: que tal determinar que todas as segundas-feiras deveriam ser ensolaradas? E que você não tem aquela obrigação de ser super produtivo? Apóio totalmente o Garfield, lindo gato gordo, que ficava dormindo o dia todo quando chegava o fatídico dia após o domingo. Domingos em si já são dias deprimentes, nada pior do que aquela musiquinha do Fantástico (e ela fica insconscientemente na mente, mesmo que você não assista Fantástico, a musiquinha se aciona automaticamente) e aquela leseira típica dos domingos, leseira que anuncia que o fim-de-semana acabou, e que no dia seguinte mais uma vez você tem que acordar cedo, e pegar busão, e chegar no trabalho, e recomeçar aquela rotina enfastiante.

Segundas-feiras deveriam ser proibidas. Nesse dia, deveríamos chegar no trabalho às 10 da manhã e sair às 3 da tarde. Não deveria existir aula, somente a obrigação de se recompor do agito (ou não) do fim-de-semana e se preparar para mais uma semana de 4 dias de labuta. Ô diazinho chato, demorado, preguicento... Quero ir pra casa. Hoje não é um dos dias mais produtivos dos meus míseros 24 anos. Acho que a rotina me mata. Não é a segunda-feira o problema: é a rotina. Mas admitir isso é ter que passar a olhar o dia de hoje com um certo ar de afeição. E isso nunca: segundas-feiras são imprestáveis e sempre serão.
 

 
Keanu Reeves e cigano Igor - ou - Masculinidade e Expressividade - Camila gosta muito disso

Ontem fui com minha amiga assistir Matrix Relôudedi. Já falaram muito sobre esse filme, sobre os efeitos, sobre o argumento, e outros que tais. Não quero, portanto, falar sobre o que já foi dito, mesmo porque não sou crítica de cinema, e ainda prefiro o Matrix ao Matrix Reloaded. Mas algo que realmente me chamou a atenção foi Keanu Reeves. Não pela beleza já amplamente discutida e apreciada pelo mulherio, não pela voz (acho a voz dele mui sexy), não pelo charme que eu julgava incontestável; e sim pela inexpressividade. Pelamordedeus, vai ser sem sal assim lá no Mar Morto! Achei ele MUITO insosso. Neo triste, Neo bravo, Neo feliz, Neo pós-broxada, Neo pululando de felicidade ao ver a Trinity: sempre a mesma cara. No máximo uma levantadinha maior de sobrancelha... E me digam: onde está a química entre a Carrie Anne-Moss e o Keanu? Não há química...

Me desculpem as fãs ardorosas do rapaz, ele é de fato bonito, mas não convence. Falta alguma coisa.... Que, ao meu ver, é algo bem simples: masculinidade. Não digo macheza, pois macheza geralmente é associada a atitudes chauvinistas. Mas falta nele aquele toque de homem, que pega a mulher e joga na parede. Porra, eles ficaram um tempão esperando por *aquele* momento, e se limita a dar um agarrãozinho muchibento na Trinity no elevador... Homem tem que ter masculinidade. Pelo menos pra mim, o Keanu não convence por causa disso.

Além da masculinidade, acho que falta nele o que é premissa num ator: expressividade. Eu acho sim que o Keanu Reeves é sem graça, apesar de bonito, é sem sal, basicamente um chá de chuchu sem açúcar. Água de batata lavada. Me lembrou muito, aliás, o saudoso cigano Igor, aquele poço de expressividade que falava sempre com aquela cara de pedra: "eu te amo, Dara". Deixando o filme de lado, pergunto pra mulherada: o cara é bonito, ok, mas vocês também não acham que falta (muita) masculinidade nele? Expressão no olhar? Aliás, ardência no olhar? Não? Fazer o que...

Eu olhava pra ele e imaginava o Hugh Jackman com aquele casaco, saltando pra lá e pra cá e, de quebra, salvando o amor de sua vida. Ficaria bem mais legal. Ok, o personagem não tem que ser agressivo, mas precisava faltar nele esses requisitos básicos de homem com H?
 

06/06/2003
 
Lucky Girl – ou – acho que eu só quis dizer...

Só pra constar: eu tenho um chefe, que além de professor de Língua Portuguesa e de me mandar ciceronear americanos meio tarados around Sâo Paulo (e por vezes around Rio de Janeiro, onde tive a "grata experiência"* de ir à HELP), gosta do que eu escrevo, sabe que tenho um blog ,e, inclusive, acho que o lê às vezes. Poxa, me senti honrada agora, porque ele acabou de dizer que tenho estilo. Yeah baby!

Quando eu estiver próxima a dobrar o cabo da boa esperança e ir fazer companhia a Jesus Cristinho e seus anjinhos de cachos doirados, hei escrever minhas memórias (que virará best-seller, visto que sempre levei essa vida de festas dionisíacas),e lá vou agradecer por ter tido um chefe que não me reprimia. Aplausos para mim, e para meu chefe também. Clap clap clap!

Por outro lado, meu amado padrinho, ao ler o último texto do busão, declarou que “já fui bem melhor, e que esse texto não chega nem aos pés dos outros textos do busão”. Acho que ele até tem razão... Enfim, é a vida, é bonita e é bonita.

*: Aos cariocas que lerem: sim, é aquela Help mesmo, aquela de Copacabana, reduto de moças de boa índole. Os gringos que eu estava acompanhando quiseram ir lá conhecer, e lá foi a aventureira Camila a lhes acompanhar. Estava tudo muito engraçado, até que um tiozinho escroto me abordou. Aí saí de lá rapidinho. UGH!
 

 
A colocação da ferrovia bucal - parte II

É hoje que coloco a parte de cima do meu aparelho ortodôntico. São, portanto, minhas últimas horas com meus dentões sem ferro na frente. Me sinto um cavalo indo colocar arreio. Cavalo não, me sinto um "Meu querido pônei", porque sou pequerrucha. Tirando isso, a parte de baixo do aparelho feriu meu "little beiço", não consigo falar direito, e meu braço está a doer muito. Ou seja, uarahél am I doing here? Alguém aí conhece um massoterapeuta de boa índole, que possa fazer massagens relaxantes sem tirar proveito de meu "apetecível corpinho"? Se conhecer, me avise.

Ps: O que fazer numa sexta-feira logo cedo? Vocês eu não sei o que fazem, mas muitos doutorandos e mestrandos tiraram a manhã para ligar aqui no meu departamento e pedir todas aquelas informações mínimas e detalhadas que eu tenho o maior prazer em passar, afinal, as perguntas são sempre objetivas, diretas, e eles nunca demonstram incompreensão (mentira detected). Uma ligação após a outra, e eu sem conseguir falar direito. Uma maravilha, acontecimento perfeito para meu humor ficar "daqui ó: da ponta da orelha".

último ps: consertei um link que estava errado. O blog da Milena. Se vc tentou algum dia desses e não conseguiu, dessa vez dará certo. Vai lá!
 

04/06/2003
 
Bem, retomando... (para entender esse post, desça mais um pouquinho, desce mais, desce devagarinho... Leia o começo da história do busão e depois suba mais um pouquinho [essa musiquinha da boquinha da garrafa é um primor né?])

Umas três tardes seguidas, naquela apertação busônica toda, um homem parava atrás da mocinha (estou sendo bondosa, ela tava mais pra jamantinha) e se aproveitava do balanço do busão para dar uma “encoxadinha” nela. Ela “gostxava”, porque além de não um tabefe na cara do infeliz, ainda contava no dia seguinte às “caléga” de sala em altos brados que o “gostosão era quente”. Essa ninfomaníaca é a mulher mais sem noção de todos os tempos, acho que estava num clima de “a dama do lotação”, com o adendo que de dama ela não tinha nada. Pra completar, um dia ela foi à aula de mini-saia (um show de horror aquilo, só de lembrar tenho pesadelos), pra provocar o figura do roça-roça com quem, pasmem, ela nunca havia falado. E aí, meus caros, só Deus, ela e o resto dos coitados dos passageiros sabem o que aconteceu. Vocês já podem imaginar... Disse ela que “rolou”, mas eu não imagino como isso seria possível, visto que digamos, errrr... há pessoas em volta, o espaço é diminuto e bem... Há várias razões para eu constatar que ela estava mentindo.

Além das “maria dos motô” e de fantasias realizadas, há o famoso xavequeiro, que senta ao seu lado e puxa aquela conversinha de elevador (tempo, onde estuda, tempo, pra onde vai, tempo...) tão chata que te dá muuuito sono. E o Don Juan depois da pneumonia asiática lá, achando que o papo dele é uma loucura e que é hoje que rola o lesco-lesco. A pobre alma nem percebe quão deplorável o seu papinho e que ele te enche de desejo sim: de sair correndo.

Mas há uma história feliz. Uma linda moça que conheço, ao entrar no busão dela de cada dia e entregar o passe pro cobrador naquele gesto rotineiro, quase caiu pra trás. Aquilo só poderia ser pegadinha do Faustão: o cobrador era lindo. Não só bonito: lindo e sorridente. Ela pegava sempre o mesmo ônibus e ele sempre estava lá. Começaram a conversar e ela descobriu que ele não era apensas lindo e sorridente: era inteligente e gente boa também. Dividida entre o preconceito (pôxa, cobrador é meio que o fim da paçoquinha prensada...) e a suspresa agradável de conhecer aquele macho, ela decidciu continuar os dedinhos de prosa diários. Um belo dia, ele contou que tinha arrumado um estágio na área dele e que ia largar aquela vida. E mais: deu o e-mail dele pra ela e pediu que ela não sumisse. Titubeante, depois de alguns dias ela o escreveu. A última notícia que tive dos dois, foi que eles estavam juntos, felizes e apaixonados, o que confirma que há gente legal em todos os lugares, e que sempre vale a pena arriscar.

Estatisticamente, a chance de algo assim acontecer é de uma em 175.646.535.392. Por isso, cuidado, não vá se empolgar e sair por aí a adentrar em busões à procura de um(a) cobrador(a) ou motorista maravilhoso(a). Pois sempre haverá um xavequeiro tarado, um carinha do roça-roça ou uma “maria dos motô” prestes a lhe dar uma bolsada na cara.
 

 
Antes d'eu ir me deliciar com o bacon frito da feijoada...

Christine, ma chérie e praticamente salvadora, seguirei seu conselho:

Vontade é coisa que dá e passa (control C)
Vontade é coisa que dá e passa (control V)
Vontade é coisa que dá e passa (control V)
Vontade é coisa que dá e passa (control V)
Vontade é coisa que dá e passa (control V)

Acrescento a isso:

Paciência é o primeiro passo para a sapiência (control C)
Paciência é o primeiro passo para a sapiência (control V)
Paciência é o primeiro passo para a sapiência (control V)
Paciência é o primeiro passo para a sapiência (control V)
Paciência é o primeiro passo para a sapiência (control V)

E não queiram interpretar que vontade é essa, porque vocês NUNCA adivinhariam. hiahiahiahiahia (risada maquiavélica)
 

 
Em homenagem à minha super amiga irmã LILLA, que adora essas historetas, e em homenagem ao meu dia de atraso e busão perdido, lanço pra vocês mais um fant´stico, magnífico, inacreditável: FRAGMENTO DO BUSÃO! Clap clap clap, aplausos!

L’amour dans les busóns

OU...

No gingado do busão é que rola o mexe-mexe


Ai ai... O amor, o amor, esse estranho conhecido que chega, nos tira do prumo e nos faz levitar... Como já disse Netinho (Negritude Júnior) com toda a sua sapiência: “te deixa de perna bamba, com vontade de dançar La Bamba, ai minha nossa, assim não há quem possa”. Ah! L’amour... O amor de mãos frias e suadas e de frases muitas vezes desconexas. De coração a palpitar e vontade de gritar por aí o nome do ser amado. Amor que chega sem avisar, e onde menos se espera. Dizem aquelas perspicazes escritoras de livros para solteironas desesp...ops! Livros para o encontro do grande amor, que ele chega nos lugares mais inesperados. Segundo essa teoria, supermercados, padarias, açougues, ou seja, locais “despretenciosos”, são tiro e queda para se conhecer um tipão interessante. Isso me lembra uma amiga louca por livros de auto-ajuda (também conhecidos como “ajude a enriquecer o autor às custas de conselhos idiotas”) que, ao ler isso, passou a se empetecar até para ir ao açougue. O máximo que conseguiu foi uma piadinha infame vinda do açougueiro: “nossa, carnão! Tá boa a maminha hoje, viu freguesa?” Ao olhar para ele assustada, ele deu uma risadinha marota, apontou o dedo pra ela e finalizou brilhantemente: “tô muito aí nessas carne, sua filézuda!” (Jocimar Lindauro, essa foi em sua homenagem!!!)

Porém, nem todas as tentativas de se encontrar um príncipe encantado entre gôndolas de supermercado comprando desinfetante estão fadadas ao fracasso. O mundo é vasto, grande, cheio de possibilidades. Então, por que não procurar o fubá do seu angú no busão – representante máximo de concentração de calor humano? Oras, afinal, entre uma passadinha na catraca aqui e uma bolsada na cara acolá, você pode se ver diante de seu grande amor! U lá lá!

Infelizmente, assim como no mundo exterior, o mundo busônico tem suas laranjas podres. Gentinha, por assim dizer. Como por exemplo, as “maria dos motô”. Essas são mulheres interesseiras, que fazem “de um tudo” pra não pagar passagem. Elas flertam com o motorista só para descer pela frente... Lançam olhares lascivos ao cobrador para ele aceitar o passe vencido... Essas são as “maria dos motô”, numa referência às mundialmente conhecidas maria-gasolinas (notem que “motô” é a abreviação afrancesada de “motorista”).

Você pode reconhecê-las de longe, essas corruptoras de homens honestos. Sempre cheias de sacolas – que fazem questão de acomodar no cantinho do motor. Calça justa pra realçar o popozinho. Cabelos soltos cuidadosamente umedecidos com uma milagrosa mistura de água e Kolene – o creme dos cabelos choupana. Com a umidade dos fios, as costas delas geralmente ficam molhadas. Usam aquele batom “Bôka Lôka” rosa do crepúsculo paixão, e perfuminho da banquinha do Largo 13 de Maio. E claro: elas grudam no alvo e não páram de matraquear. Seja motorista ou cobrador, lá estão elas, a te olhar feio por querer passar. E fical lá, entre trocas de olhares e risinhos furtivos, até a hora de descerem sem pagar. Alguma muitas caras-de-pau, fazem cara de profundamente agradecidas ao motô quando eles falam “imagina, gata, desce pela frente. Aqui você é VIP”. E o mais absurdo: algumas embusteiras já são casadas, ou então são noivas de algum motorista de táxi (que é mais chique).

O busão também pode ser cenário de fantasias sexuais. É meus caros: eu sei de uma história (JURO que é verídica, ela estudava comigo no magistério) que sempre pegava o mesmo busão ao sair do colégio... (aguardem a continuação, pessoas. São cenas muito fortes. Mais tarde eu conto.)
 

 
Deus ajuda a quem cedo madruga

Eu cresci ouvindo essa frase dos meus familiares, principalmente quando comecei a adentrar no mundo baladístico e, nos finais-de-semana chegava às 4 de la matina e acordava depois das onze. Minha família é muito caseira, minha mãe não teve uma vida de sair à noite, e o relógio biológico de todos eles é diurno, matutino e madrugador. Sou a ovelha negra da família, nem tão negra assim, mas sou a única que gosta de acordar mais tarde, que acha que 9 da madrugada de sábado é hora para estar dormindo e que não está disposta a fazer cooper às 6 da manhã (minha mãe faz isso). Meu relógio biológico é vespertino, eu acho. Adoro a tarde, o fim de tarde-comecinho de noite e sempre fui assim. Não adianta querer mudar. Hoje acordei atrasadérrima, porque o soninho das 6 às 7 é o mais gostoso. Perdi a hora, o busão, e pior: meu cérebro ainda não começou a funcionar. Preciso é me formar tradutora logo logo, pra fazer meu horário e não ter mais que ser escrava do despertador e cartão de ponto. Ô vidinha miserávi.
 

03/06/2003
 
HAHAHAHAHAHA
Era só o que me faltava... Se bem que a parte do emprego é mea verdade... Mas suicídio? Imagina!






Como você vai morrer?
Trazido a você por Blog do Idiota



Sabem do pior? Eu tenho uma oral presentation para preparar para amanhã para meu curso de Inglês. Instead of that, me ponho a fazer testes bestas. Outro dia fiz um em que dizia que eu era Camille Claudel. Tudo bem que adoro Rodin, mas ter semelhança com a Camille... Acho que só no nome!
 

 
Like A Prayer

Então, será que ao postar essa música ela desgruda do meu cérebro? Eu adoro a Madonna desses tempos de "Like a Virgin", "Cherish" e "Holiday"... Mas "Like a Prayer" é uma música que adoro muito. E aí um moço me mostrou uma versão mais melancólica de um cantor chamado John Wesley Harding. Tinha até esquecido dessa música, mas forças além da minha vontade me fizeram lembrar dela. E que o John Wesley bla bla fique aí, quietinho.

Like a Prayer
written by Madonna and Patrick Leonard

Life is a mystery, everyone must stand alone
I hear you call my name
And it feels like home

Chorus:

When you call my name it's like a little prayer
I'm down on my knees, I wanna take you there
In the midnight hour I can feel your power
Just like a prayer you know I'll take you there

I hear your voice, it's like an angel sighing
I have no choice, I hear your voice
Feels like flying
I close my eyes, Oh God I think I'm falling
Out of the sky, I close my eyes
Heaven help me

(chorus)

Like a child you whisper softly to me
You're in control just like a child
Now I'm dancing
It's like a dream, no end and no beginning
You're here with me, it's like a dream
Let the choir sing

(chorus)

Just like a prayer, your voice can take me there
Just like a muse to me, you are a mystery
Just like a dream, you are not what you seem
Just like a prayer, no choice your voice can take me there

Just like a prayer, I'll take you there
It's like a dream to me
 

 
Uótis goin ón??

Então, o que está acontecendo com o mundo? É a volta dos que não foram? Conjunção astrológica? Genteeemmm... Acho que amanhã meu amor platônico da 6ª série vai me ligar. Ou então o menininho que era meu namorado do pré-primário...

< interna >Agora, ligação de quem vai se enfastiar de costela de tambaqui nada, né... < / interna >
 

 
Ghostbuster

Tem muita gente que não acredita em intuição, sexto sentido, premonição e eteceteras e tais. Eu acredito, mas não a ponto de me consultar com madame Zobaida ou procurar um daqueles anúncios de poste “joga-se búzios, tarô, trago a pessoa amada em 7 dias”. Acredito na intuição muito mais como uma força interior, um sentido ativado em determinado momento para te mostrar aquilo que seus cinco sentidos não captariam facilmente. Minha intuição é bastante aguçada, mas é claro que não na hora em que eu quero. Tenho sonhos que acontecem, mas não tenho nenhum tipo de controle sobre isso. Dizem que essa coisa de sonho acontecer tem explicação científica, que na verdade não é sonho que acontece, e sim o cérebro que processou o acontecimento muito rápido e dá aquela impressão de déja-vu. Eu ainda sou do tempo de dar ouvidos à intuição e de não buscar explicação científica para cada mínimo acontecimento da vida, porque há coisas que se deve sentir, e não explicar. Então, se você acha intuição coisa do demo, ou coisa de gente esotérica, nem precisa continuar a ler.

Minha intuição deu "mais uma dentro", e, por mais que eu me surpreenda com isso, não deveria. Determinadas coisas só acontecem quando têm que acontecer, por mais que isso seja frase clichê.Ontem me vi tendo uma discussão de relacionamento com alguém que eu não tenho mais um relacionamento. E, por mais que isso seja estranho, me fez muito bem. Eu cacei alguns fantasmas interiores e os exterminei para nunca mais voltarem. Tudo enquanto conversávamos. Era realmente o momento certo desses fantasmas irem embora e da gente finalmente poder conversar sem sofrimento, pelo menos pra mim. E aquela impressão de que de não havia valido e de homem estranho, deu um pouco de espaço para aquela velha impressão de moço de Minas risonho e bom de quando nos conhecemos. Você não é meu Jason, a gente não quer voltar, nós sabemos que passou, mas há carinho. E matar esses fantasmas me fez muito bem.
 

02/06/2003
 
Site de banco preconceituoso

Nunca comentei aqui, mas eu não tenho pai. Ele não me assumiu, não faço idéia de quem seja, e passo muito bem, obrigada. Meu pai é meu padrinho, mas isso não consta no meu registro. Só que aquela droga de site do Bradesco me faz digitar o nome do meu pai para acessar minha conta. Eu não digito nada, e o site rejeita meu acesso. Tento novamente, e meu acesso é bloqueado. Liguei para o FoneFácil, e a atendente "pôde estar verificando" que esse campo foi preenchido, e terei que me recadastrar. Ótimo, foi preenchido! Agora resta saber quem é meu pai. À essa altura do campeonato, só aceito ser filha registrada do Luiz Fernando Veríssimo ou do Abílio Diniz (pai rico, uhu). Fiquem na torcida, é hoje que vou descobrir quem o Bradesco diz que é meu genitor.

UPDATE: descobri que meu pai, segundo o Bradesco, é o xxxxxxxxxxxxx.
 

 
Mais uma de mamãe - ou - Acho que mamãe quer que eu case

Meu irmão, rebelde rapazola de 13 anos, sabe fazer malabares, aquela febre dos meninos de rua de ficar jogando um pau entre outros dois paus (ui). Aqui em São Paulo, perto de casa, há pelo menos uns 3 meninos por farol fazendo essas "performances". Pois outro dia o rebelde sem causa do meu irmão estava num momento desocupado em frente à minha casa, jogando pauzinhos para lá e para cá. Foi quando parou uma Blazer e pediu que ele chamasse minha mãe. Mamãe já saiu com o pau de macarrão na mão, achando que meu irmão tivesse jogado os paus do malabares em algum carro (e chega de escrever "pau"). Qual não foi a surpresa geral da nação ao saber que os caras da Blazer eram da produção do Bruno & Marrone (aqueles que cantam a música do cara que estava na praça) e estavam convidando o brother para se apresentar no show deles, que seria sexta, sábado e domingo. E eles ainda pagariam uma graninha. E lá se foi meu irmão rumo ao estrelato (pfff).

Minha mãe foi convidada a ir assistir o show também. E de grátis! Ela até perguntou se eu queria ir, mas eu preferi ficar em casa fazendo faxina. Bom, ontem mamãe chega feliz da vida, me contando detalhes do show e me solta a primeira bomba: "Camila, tinha um negão bem seu tipo lá da produção, alto, boca grande, charmosão... Aí seu irmão falou pra ele que tinha uma irmã de olhos verdes, e que ainda gostava de negão. E o cara se empolgou pra te conhecer". Eu gargalhei até não poder mais, e falei pra ela mandar um beijo pro bonitão. Claro que perguntei detalhes, perguntei se ele era parecido com um certo black guy que conheço, demos mais risada e só. Only this, juro.

E lá se foi mamãe assistir o show ontem à noite. Quando ela estava na rua, me chama e fala: "Camila, vou mostrar sua foto pra ele". O QUE?????????????? FOTO?????? COMO ASSIM????? Mãe, volta aqui, não me faz pagar mico. Mãe, não paga esse mico, pelamordedeus. MÃÃAAEEEEEEEEEE!

Pensei que poderia ser zoeira dela, então deixei pra lá. Aí hoje ela confirma que mostrou a foto mesmo. E o negão "se empolgou-se". E eu passei mal de rir. Só mesmo minha mãe pra pagar um mico desses e me fazer pagar o mico junto. Acho que ela anda com desejo de ter netinhos com cor de jabuticaba. Só isso explicaria essa insanidade temporária dela. Bom, pelo menos eu ri muito. Se eu vou procurar o cara? Of course que não, me poupem. Depois dessa, acho que vou dar uma de ema e esconder minha cara num buraco no chão. hahahahahahahahahaha
 

 
PELEZINHOOO: FELIZ ANIVERSÁRIO (ATRASADO MESMO)

Você aceita congratulações tardias?! Diz que sim, vai.... :-)
 

01/06/2003
 
Dieta saudável - por Camila - ou - não faça o que eu faço se não quiser se afundar na celulite

Desde quinta-feira tenho me alimentado tão bem quanto um americano gordo. Na quinta-feira jantei um cheese-salada bacon super dooper. Na sexta almocei Mc Donald's e jantei empadinha com coca-cola. Ontem almocei torta Sadia e "jantei" pipoca com manteiga do Cinemark, coca-cola, queijo gorgonzola e Doritos. Hoje resolvi pegar pesado e almocei arroz, frango assado, farofa... Mas, pra compensar, acabei de tomar um mega sundae do Joakins. DILIÇA.

Não sei onde vou parar, mas com certeza a celulite e as minhas espinhinhas estão dando pulinhos saltitantes de alegria.
 

 
Romeu, mon chéri aparecido e sócio no fantástico mundo da graviola:

Ontem, indo para a casa da minha amiga, desci do busão na PAULISTA, andei por ali, parei na LIVRARIA CULTURA (vi o livro do MICHAEL MOORE) e depois comi um bolinho esperto (com MORANGO) no AMOR AOS PEDAÇOS. É sério, eu fiz tudo isso porque normalmente o faria. Mas ontem lembrei de você. Porque alguns lembram de mim ao tomar canja (na cama), e eu lembro de outros ao passear. hehehehe
 

 
Eu sou uma mulher curiosa e ansiosa.

Hum... Isso é pleonasmo, né?!
 

30/05/2003
 
Profundidade Patropi

E eu escrevo, escrevo e escrevo. Conto causos, coloco posts herméticos, besteiras e etcs. Mas sei lá, viu?! Eu pareço que não sei... Sei lá, "tipo assim", mil coisas passam pela minha cabeça, relativas a tuuuudo em minha vida, e eu acho que estou meio besta. Depois desse post idiota, estou me sentindo o próprio Patropi (lembram dele?).

Hasta la vista, babies, que vou ao banco. Pouco juízo no finde, hein?!
 

 
VISÃO???

Trabalho num lugar onde a beleza masculina e a macheza são escassos. Já acostumei-me a isso. Há um rapaz bonito aqui, aliás, gato pra caramba, mas ele é café com leite (hehehe...). Porém, acabei de ter uma visão. Um homem gato trabalhando na Secretaria. Meu queixo caiu. Aí descobri: ele não trabalha aqui. Ele presta serviços. Era bom demais pra ser verdade...
 

 
ARRISCAR

De umas semanas para cá, me sinto meio perdida numa sala escura, onde não sei a saída. Ando às cegas, mas com os sentidos em alerta. Caminho confiante, mas com passos curtos, até mesmo lentos, pois não sei onde estou pisando. A escuridão me atrai e não me dá medo, apenas uma ansiedade estranha, pois estou adentrando em um lugar desconhecido. E esse lugar desconhecido me atrai cada vez mais, talvez por eu ter uma vontade inexplicável de fazer essa escuridão toda se clarear. E caminho pela sala, às cegas, mas sorrindo, porque sei bem o que quero ali dentro. Posso não encontrar o que quero ali. Posso tropeçar, e é por isso que caminho arrastando os pés. Posso cair, e é por isso que caminho lentamente, me certificando de onde piso. Posso encontrar a saída sem chegar nem perto desse algo que quero. Mas eu arrisco porque quero, porque meu sexto sentido me diz que devo seguir, me arrisco porque essa escuridão é o que preciso hoje. Porque amanhã posso desvendá-la, e depois posso descobrir que esse mistério valeu a pena (ou não). Se eu cair, eu levanto. Posso me machucar, mas nunca será grave, pois sigo com cautela. E sempre há a porta de saída a me esperar.


::Hoje o dia está lindo, vou sair mais cedo do trabalho porque tenho que ir ao banco, e estou com uma vontade inexplicável de ouvir Beatles. Agora, com licença, vou trabalhar um pouco.::
 

 
Básica e Necessária - pelo menos por um tempo

Ontem fui à manicure, que caprichou nas unhas francesinhas. Ela sempre capricha, e ontem quis trocar o vinho tradicional por algo delicadinho. Além disso, ela deu uma "cuidada" básica na minha pele, e melhor, de "grátis". Saí da casa dela me sentindo muito gata. E lá fui eu, rumo à Av. Paulista, encontrar minha amiga-quase-irmã. Para completar, ontem eu resolvi ir trabalhar vestida de "paquita": com minhas botas de cano alto pretas que eu amo, saia e blusa pretas, meia tweed cinza mescla e, para arrematar, meu casacão com gola fófis lindérrimo, made in C&A. Um luxo, diria meu cabeleireiro.

Estava me sentindo uma européia pelas ruas de Barcelona. Andava pela Paulista toda orgulhosa de meu casaco lindo e do meu "imenso" rabo de cavalo (tava mais pra rabicó de pônei, mas e daí, pelo menos já consigo prender a cabeleira, coisa antes impossível). Enfim, estava toda vitaminada. Até que encontrei minha amiga, que pronunciou três frases, não necessariamente nesta ordem:

- Nossa Cá, sua pele está precisando de um cuidado hein?! Tá com vários cravinhos... (Camila murcha um pouco)
- Você fica beeem melhor de cabelos compridos. Você vai deixar crescer de novo, né? (Camila murcha mais outro pouco)
- Vai ser bom você colocar logo o aparelho na parte de cima, assim você fica menos beiçuda. (Camila murcha mais, imaginando que seu "mono-beiço" está algo estranho)

Ê! Valeu! hahahahahaha, mas eu ri, fazer o que? Minha amiga é assim mesmo, nos conhecemos há anos e nossa relação permite essas observações. Sinceridade acima de tudo, não é? E enquanto isso, na Sala de Justiça:

- Pô, cadê aquela poderosa que estava aqui?
- Sei não, mas passou pra lá uma baixinha desenxabida... Olha ela ali, se examinando no super espelho.
- Hey, poderosa, volta aqui! Cabelo cresce, boca carnuda é sexy e pele como a sua é tratável facilmente!

Puxa! É mesmo! hihihihihihihi
 

29/05/2003
 
Weeping, sobing and laughing

Fui dormir ontem com o coração apertado. Chorei muito e pensei como as coisas podem dar errado perante um amor tão grande. O mundo é injusto e Deus não interfere em nada.
- Camila: o que você fez antes de dormir?
- Assisti "Cidade dos Anjos".
- Ah tá explicado.

O filme é lindo, mas eu dormi em algumas partes. Só que no final, quando toca "Uninvited" da Alanis, é quase impossível para uma manteiga derretida como eu não chorar.

Sambassão

E aí em determinados momentos, de uns tempos para cá cada vez mais raros, me vejo com vontade de dançar um samba quente, que é muito legal, que é super pra frente, e é bem genial. Mas uma vozinha interna só me diz o seguinte:
- Vai neguinha, vai ouvir o CD dessa música que é beeem melhor pra vc.
- Ah, é mesmo.

Graviola

Eu adoro suco de graviola. O melhor que tomei foi em Manaus, ao saborear também uma maravilhosa costela de tambaqui. Mas nunca encontro a polpa da graviola aqui em Sampa. E, quando vou em algum lugar e peço o suco, nunca tem. Poxa, está cada vez mais difícil encontrar um suco de graviola decente nesta cidade, viu?! (hehehehehe)
 

 
C.A.M.I.L.A.??

Ontem, nos comentários sobre meu post "Seinfeld", a doce bailarina Jujuba perguntou se eu existo mesmo. Eu disse a ela que existo sim, e tenho fotos que comprovam minha existência. Pelo que eu saiba, mamãe me fez segundo as normas padrões de reprodução humana. E também pelo que eu saiba, nosso mundo ainda é mundo, as pessoas ainda são reais e Neo e Trinity são, por enquanto, um casal do filme Matrix que dá uns beijinhos bem mixurucos. Mas Maninha - minha amiga jupiteriana e suas luas - deu uma explicação absolutamente convincente a meu respeito:

Camila é um programa avançado criado pelas organizações "El Neuronicón" para pesquisa de termos inteligentes e criativos que aqui são apresentados. A sigla C.A.M.I.L.A. significa Cirila Adestrada Móvel Insandecida por Ladrões Acalentados.
Contratamos uma modelo em Novembro de 2002 para servir de rosto para o nosso programa, mas ela tem passado por um certo "processo de baranguização acentuado", o que nos fez retirar de circulação suas imagens.
Na verdade, Camila é a Simone de Al Pacino.


E, depois dessa, parei para pensar: será que eu sou eu? Será que eu existo? Será que sou um programa (não, eu não faço programas, sai fora) num rosto robótico e tudo o que escrevo é produzido por uma maldito código binário? Será que você é você ou é somente parte de um sistema de andróides, tipo Blade Runner? Não encontrei ainda nenhuma resposta, exceto a seguinte: Maninha, baranguização o cacete!

Acho que preciso assitir logo Matrix Reloaded...
 

 
E atenção pra festança tripla: aniversário dos gêmeos cartunistas e lançamento do último trabalho da "drupa"



Mais informações no blog de minha amiga namorada de Fabio Moon, um dos cartunistas.

 

28/05/2003
 
TIROS EM COLUMBINE - Recado pro Gravataí Merengue

Então, meu caro, vamos ou não assistir Tiros em Columbine hoje? Quanta embromation!
 

 
Post Seinfeld: Um pouco sobre o nada.

Cartão postal: tenho dois amigos que moram em NY. Um é um jamaicano muito gente fina, único a conversar comigo me olhando nos olhos na temporada de americanos em Sampa que acompanhei ano passado. Não, não é pretendente a nada, nem será, mas o Leeroy é um cara muito sincero e muito engraçado. O outro é um cara especialíssimo, brasileiro do interior de Sampa, lindo de morrer, com uma voz enlouquecedora, que está a fazer mestrado em terras americanas. Também não é pretendente. Mas enfim, esse último me deve um postal de NY. Espero todos os dias um postal dele, e nada. Ontem, ao olhar a caixinha do correio, vi um postal e, pela figura, era de NY! No creo!!!!!!! Ele me escreveu! Mas ao pegar o postal, vi que a letra era do Leeroy. Fiquei muito feliz, é claro, mas não posso negar que a primeira sensação foi de frustração mesmo... hehehehe

Tapioca de beijinho: Por muitos lugares de Sampa se alastram as barraquinhas de tapioca. Uma iguaria nordestina, que nada mais é do que polvilho umedecido, que, ao ser jogado na frigideira quente, vira tipo uma panqueca. Aí é recheado com queijo e mateiga ou então com leite condensado e côco fresco ralado. A tapioca doce é uma diliça, me dá até água na boca. Por causa do meu desejo de comer uma tapioquinha doce, enfrentei frio e minha gripe no domingo à noite para ir à festinha alemã tipicamente brasileira do meu bairro. Cheguei lá e não tinha mais a iguaria. Quase tive uma síncope. Mas minha mamãe sabe fazer e comprou côco para preparar uma tapioquinha ontem pra mim. Mamãe é fófis, eu sei. Mas não havia leite condensado em casa. GAAAAAAHHHH. Meu irmaõ foi comprar pra mim. E! Beleza! E minha mama fez uma coisa muito deliciosa, uma inovação no mundo tapioquense: fez primeiro o doce de beijinho para depois rechear a tapioca com o doce. Muito dotoso!!!!!

Minha "fota": Ainda sobre amigos que moram longe, ontem mandei uma foto minha para um amigo meu de Brasília. Até recomendei que ele colocasse para espantar as drosófilas de seu cubículo, mas não esperava isso: ele nem me respondeu. Pôxa, estou longe de ser a Gisele Bundchen, mas me deixar sem resposta é "sacanazi"... Prometo nunca mais assustá-lo, meu caro, mas me escreva. Minha auto-estima está no dedão do pé depois dessa.... :'( (Camila, a "mãe do Cirilo" [coisas de Romeu], e perita em melodrama)
 

 
Credo, Camila, como você é eufórica... Você tem que ser mais... Calma.
(menina santinha que trabalhava comigo, tentando me irritar, só porque eu havia chegado no trabalho pulando e dizendo "acabei de ver o fulano! GAHHHH!")

Essa moça disse isso há uns três anos e alguma coisa, quando eu ainda padecia como hostess de um restaurante, e minha vida se resumia a sorrir e indicar mesas aos clientes, que geralmente me ignoravam. Entendo eles, não há nada mais inútil que uma menina parada na porta, tentando te levar pruma mesa em que você não quer sentar. Pra piorar, eu não usava essas roupitchas modernosas de restaurante hype de São Paulo, e estou longe de ser modelete. Meu uniforme era uma linda camisa rosa tamanho G, fechada "nerdemente" (Chris, essa é pra vc!) até o talo, arrematada por uma charmosa gratinha borboleta preta. Nas partes baixas, calça bege tamanho GG e avental preto que cobria a calça toda. Enfim, havia uma grande semelhança entre mim e aquelas roupinhas de bujão de gás da vovó. Quem me conhece sabe que sou baixinha e magra, mas aquela roupa me deixava uma baixinha disforme. Pra completar, cabelo todo preso. Visualizem a pitchulinha. Tudo, absolutamente tudo conspirava para que eu odiasse aquele lugar. Eu era a única mulher do turno da noite, os garçons achavam que a menina do dia (a que me chamou de eufórica) era mais boazinha que eu, achavam que eu era muito respondona (porque eu entendia as babaquices de cunho sexual que eles falavam, e a menina boiava), que eu era fresca demais, que falava demais. Além de ser assim querida, tudo o que eu não queria era ser vista vestida daquele jeito por esse "fulano" que mencionei no título. Ele era um ex-ficante, e havia pisoteado na minha auto-estima, havia me feito de tapetinho, como dizia aquela tiazinha tarada da novela.

Okay, okay, tudo mudou. Pensarão: "pra que se importar com um cara que te judiou, bla bla bla?" Mas o ponto não é ele. O ponto é que naquela época eu era mesmo eufórica. Acho que eu tinha uma vivacidade muito maior com relação à minha vida, porque essa vivacidade toda vinha da minha insatisfação. Eu queria mais, eu queria sair dali, eu não queria agüentar cliente besta e garçon babaca, eu queria me sentir mais útil, e ia atrás disso. Eu não era eufórica, eu apenas não me acomodava e não me deixava levar pelo mau-humor. Tudo estava um cocô, mas eu tinha consciência de que aquela latrina era temporária, eu sabia que podia mais, eu sabia que não estava parada. Fui atrás de bolsa na Aliança Francesa, na Cultura Inglesa, mandei curriculuns. E, quando consegui a bolsa de francês, fui chamada para trabalhar aqui.

Já são três anos, onde aprendi muito, com certeza. Mas cheguei num ponto onde não estava mais me reconhecendo. Eu me olhava e perguntava: cadê aquela menininha determinada da anos atrás? Cadê aquela menina cara-de-pau que conseguia bolsa de Inglês, de Francês e enfrentava quem aparecesse? Cadê aquela euforia que me fazia bem e que me movia, me fazia ir atrás de melhoras, de crescer? Aqui eu trabalhei um tempo num departamento e, quando estava me sentindo cansada, fui promovida. Toda lépida e faceira, achei que tudo seria lindo. Mas estou aqui há um ano e meio, e me sinto desestimulada. Não consigo retomar meus estudos, não gosto muito do que faço, e novamente sinto que posso mais, que quero mais, que preciso de mais.

Estou há algum tempo num momento de auto-análise, de rever conceitos, rever minha vida. E percebi, nisso tudo, que deixei muito de lado a menininha eufórica que corria atrás do prejuízo. De uns tempos para cá, havia deixado de lado parte de minha essência. E é hora de deixar de lado essa observação de minha ex-colega e me deixar invadir novamente por mim. As coisas só mudam quando começamos a agir, e eu preciso muito agir logo. Não que alguma coisa vá acontecer amanhã, mas preciso dar os primeiros passos. E aí me vejo cheia de energia. Não propriamente para me enfiar mais no trabalho aqui. Mas mais energia para me mexer, para resgatar minha euforia, que na verdade se chama esperança.
 

27/05/2003
 
A gripe me pegou, tentei escapar não consegui

"Ontem eu estava ca respiração ruim, co peito congestionado e co nariz endupido". Aí... Tomei Naldecon, cápsulas de alho, chá de gengibre, Doril... E melhorei bem pouco. Penso que deveria estar em casa, embaixo das cobertas, assistindo a toda a programação merda da TV aberta.

Mas voltaremos, aos poucos, à programação normal.
 

23/05/2003
 
O encontro do URUBU do Marco com Pai Zé das Intenéti

(Recado: antes de começar a ler - o Marco me autorizou a colocar o urubu no meio dessa mixórdia. Claro que o urubu dele é melhor que o meu. E prepare-se porque o texto é longo)

Ele veio voando em círculos em direção à mansidão de prédios. De lá do alto era difícil imaginar como tudo funcionava em meio aquele caos de carros, gente e prédios. Quando sobrevoava sua Champs Elysée privê – o Rio Pinheiros – ele considerava a raça humana a coisa mais podre e vil que já habitou a superfície terrestre. E ainda tinham a petulância de dizer que ele e seus semelhantes eram carniceiros. Ora essa! Eles, os urubus, tinham somente a obrigação de sobreviver e cumprir sua função na cadeia alimentar. E, modéstia a parte, faziam isso com maestria. Não destruíam, não poluíam, não matavam. Apenas cumpriam seu ciclo vital: nasciam, cresciam, comiam, se reproduziam e morriam. Assim, simples e sem danificar o ambiente.

Estava tão absorto em divagações, que quase se esqueceu de seu objetivo maior naquele momento: encontrar aquele careca no fumódromo e dar vazão a todos os seus questionamentos existencialistas. Ainda filaria um cigarrinho xexelento, sendo que sempre saía de lá orgulhoso em confundir aquele humano com sua sagacidade. Ele, o urubu, ia aproveitar que ele, o humano, andava a a quebrar a promessa de nunca mais fumar e ia entupir um pouco seu pulmão com nicotina. Aquele careca nem dera atenção à praga que a moça rogou caso ele fumasse. Pois que venham os cangurus!

E o urubu pensante nem percebeu o vulto que vinha em sua direção. Foi quando deu um encontrão em pleno céu com algo voador, que não era pássaro, nem avião, nem o Superman. Tráfego aéreo?

- ÊÊ! Vassuncê num olha por onde anda?

O ururbu viu, por segundos, o filme de sua vida passar perante seus olhos. “Será nque morri? Será que aquela bicada num bebum tinha feito ele adquirir o goró do cara? Humanos voam?” Olhando bem, agora, ele podia ver que o vulto era, na verdade, um velhinho negro de carapinha branca e cachimbo. Um humano voador! Isso era melhor que o Marco e seu cigarro! U-hu!

- Diz aí, velhinho dos céus, o que tu faz por aqui?
- Mais i esse urubu é muito do atrivido! Zifio respeita os cabelos banco desse nego! Respeita minha morti! Eu sô o Pai Zé das Intenéti, entidade protetora dos usuário dos computadô. Pai Zé tira egum dos hardware e benze os software. Pai Zé sabe destravar Windows só com rezadô, e tamém faiz conexão discada fica rápida.
- Hey velhinho! Já entendi! “Vassuncê” senta, roda e faz a festa em cima desses sistemas falhos que o ser humano cria.
- Pai Zé é um espríto poderoso que tamém lês os pensamento das pessoa. Mizifi num é pessoa, mas é metido a sabereta igual as pessoa. Intão eu sei tudo que ocê tá pensano sobre esse preto véio com cachimbo de Popeye!
Estupefato, o urubu quase teve um troço. Ele tinha acabado de comparar Pai Zé com o Popeye! Hum... Esse velhinho era esperto e tal, mas ele não tinha computador, então era melhor sair logo dali e ir filar um cigarrinho, antes que o careca saísse do fumódromo para pegar um cafezinho e voltar para sua “baia”.
- Ok Pai Zé, prazer lhe conhecer em espectro e ectoplasma, mas tenho que ir.
- Pai Zé tá com pressa tamém, já recebi um chamado duma moça qui num consegue abrí o ICQ on láine. Mas antes, vô dá um passe no mizifi urubu, qui tá muito carregado. Vassuncê tem qui tomá cuidado cas carniça qui come, vassuncê tem tamém qui si conformá com sua condição de urubu. Um urubu nunca vai sê um pavão.
- Ei! Peralá! Não quero ser pavão nem quero me acostumar com nada! Gosto da minha condição de urubu – animal e quase irracional, movido por instintos. Só que ocupo minha mente para não cai na inércia do cotidiano. A inércia é um grande mal da atualidade, ainda pior que a acomodação.
- ÊÊ mizifi, fecha essa tramela – Pai Zé deu uma baforada de cachimbo no bico do urubu – e reza com zi nêgo: “sô urubu, sô preto e sô forte. Vivo à sombra da morte. Não a temo porque ela me alimenta. Nada me atormenta. Tenho sorte de ser urubu. Posso mandá os outro pegá a rima e í passeá.”
- ???? Que é isso, Pai Zé?
- Fecha o bico e se concentra. Vassuncê carrega a sombra dos desencarnados. Vassuncê tem que rezar antes de comê as caniça pra se libertá de ser a continuidade da podridão.
- Quê?
- É isso memo. Mizifi nunca pensô que dá continuidade à podridão do ser humano que tanto critica? Que na cadeia alimentar, está antes somente dos decompositô, os último da cadeia? Vassuncê se alimenta de carne em putrefação. Mizifi urubu se arvora de ser esperto, de ser animal, de não ter que se utilizar de convenções para responder aos seus instintos mais primários e de não ser destrutivo ao ambiente como os humanos. Mas vassuncê é uma sombra que come o que não presta, não produz, vive para ver a morte alheia e sorver o resto daqueles que tanto critica. ÊÊÊÊ, discupa, esse nego ás veiz recebe as influência dum espríto filósofo faladô. ÊÊ, sai pra lá!

E desapareceu, fumacinha no céu, confundindo-se com a poluição da Berrine. Nesse momento, o urubu estava quase a chorar. Nunca tinha pensado em si desta maneira. Nunca tinha pensado ser perpetuador da podridão. O que fazer? Virar vegetariano? Precisava de um cigarro, o quanto antes. Voou mais um pouco e logo viu a careca familiar e a camisa azul clara: era o Marco Aurélio, a olhar para o horizonte do Projeto Cingapura e a pensar na morte da bezerra.

- Aí, tem um cigarro? Preciso de um urgentemente.
- Nossa! Você! Aconteceu algo bizarro comigo.
- Não mais que comigo.
- Acabei de ter uma visão, um velhinho que se dizia Pai Zé das Intenéti. Apareceu do nada e me fez rezar um troço mui piegas.
- Você também? Ué, você acredita nessas coisas?
- Não, mas eu vi. E ele disse que minha energia está negativa, e isto está influenciando as máquinas aqui do trampo. Esses dias é só pepino que me aparece. Disse que tenho que me purificar através de um despacho.
- Caraca! Esse tiozinho é foda! Despacho do quê?
- Penas e bico de um urubu, com farofa e um mouse. Tudo em cima de um teclado ergonômico com botões de fácil navegação. Devo dizer algo do tipo: “vai urubu, manda essas energia passeá”. Isso te diz alguma coisa?

E o urubu percebeu um lampejo de interesse maldoso naquele olhar sempre bondoso de Marco.

- Ei Marco! O que há? Você sempre foi cético! Você não crê nessas parafernálias. Você sapateia no rabo do demo! Você...

Mas Marco só olhou novamente, um olhar de esguelha, um olhar estranho... E o urubu saiu voando, em círculos tortos, assustado. Saiu gritando aos quatro ventos que viraria um vegetariano produtivo, e que antes de questionar o outro questionaria a si. Quem olhasse da Marginal para o céu, veria um urubu desgovernado a emitir sons estranhos.

No mesmo instante, Marco disse baixinho:

- Aê Pai Zé! Valeu pela idéia! Eu não sei o que você é, nem sei se isso foi alucinação. Mas o importante é que aquele urubu que se acha minha consciência não volta tão cedo com aquela mordacidade de sempre.

E uma vozinha cheia de candura respondeu:

- Pai Zé tá aqui pra ajudá os mizifi bom de coração. Mas não se esqueça da promessa: VOCÊ VAI FAZER UM VÍDEO DANÇANDO O TCHAN EM RITMO DE BLUES. Senão Pai Zé manda o urubu voltar, e ainda pior!

E a voz sumiu...
 

 
Links

Acrescentei aí ao lado alguns links. Deixei acumular alguns, mas como minha mente anda meio reumática, peço desculpas se esqueci de alguém que venha sempre por aqui a visitar-me. Vamos lá, por ordem alfabética, pra ser democrática:

Ask the Cow: o Lelê faz fronhonhóim, pôxa! E ainda por cima sabe música do Ivan Lins.

Casa da Pri: blog da apaixonadérrima Priscila, que também adora gatos. E ainda faz o namorado andar pelo parapeito para salvar o gato da vizinha!

Emotionrélio: preciso falar algo? É Marco Aurélio!! E em versões variadas, a exercitar seu narcisismo e sua critividade sem limites.

Eu Diria que...: Fer, a musa de Marco. Peraí, se eu sou musa, e ela também é, somos rivais (dã)! Yes! Ou não: podemos concluir que Marco é um fominha. Enfim, o fato é que Fer, fã de Beto Barbosa, é uma moça muuuito gente fina e engraçada, que sabe brincar de "complete a música" no ICQ e usa gravata. Igual a Avril Lavigne (e vou apanhar por essa)

Koko do Bruno: originalmente Koko do Lôko, do ex Hemp Core, atual Ninguém, mas também conhecido como Bruno, o belo. Coloquei Koko do Bruno porque ele nem é mais tão louco. Atualmente tem uma mania inexplicável de tomar Fanta Morango e Ki-Suco de morango. O que já o qualifica como louco.

Menina da Torre: a menina mais apaixonada. Mas além de escrever muito e de namorar o Risadinha, ela namora a Paula Foschia. E faz propostas indecentes a incautas paulistanas que gostam negões. Eita!

No me diga tonterias, Mujer!: a internacional Flavia, que é brasileira, tem um blog com título em espanhol e mora em Paris. Uma mulher que fala sobre tudo e é muuuito bem-humorada.

Quelque Chose d'Autre: Giovana e sua cachorrinha Pachanga - que é igual ao Ajudante do Papai Noel, dos Simpsons. Essa menina é uma trilingüe muito chique, que coloca "Come away with me" da Norah Jones para tocar no celular.
 

21/05/2003
 
PRIMÓRDIOS

Em algum lugar bem perto daqui...

No começo tudo eram sentidos. Ele acordava, olhava o dia e sentia o sol ou o vento, sem, no entanto, ter nenhum questionamento e explicação a respeito. Ele simplesmente sentia a quentura do sol e o frescor do vento porque era assim que sempre foi. E assim era também com ela. Eles se olhavam e faziam o que queriam por pura necessidade fisiológica. Algo inexplicável, e a que eles se entregavam sem constrangimento nenhum, porque nunca pararam para pensar nisso. O pensamento ainda estava nos princípios de seu desenvolvimento.
E assim era a vida dele e dela: baseada no sentir.

Um belo dia, ele acordou e ao invés de sentir o calor do sol e o frescor da brisa, resolveu olhá-los com adoração. Que astro maravilhoso que lhe proporcionava o que precisava! Que vento gostoso que lhe refrescava! E, ao olhar para ela, viu que criatura perfeita! Como era bom estar ao seu lado e como era bom tê-la. E, pela primeira vez, eles desenvolveram sentimento e afeto pelo que os cercava. O pensamento, mais desenvolvido, os fez não somente sentir, mas também criar vínculos. E assim era a vida dele e dela: baseada nos sentimentos proporcionados pelas sensações que antes os bastavam.

Mais algum tempo se passou, e ele começou a pensar por que o sol brilhava e lhe dava aquele calor. Por que o vento soprava e mexia tudo ao seu redor. Por que aquela mulher falava tanto. Por sua vez, ela começou a questionar sobre o brilho do sol, sobre o movimento das coisas ao ventar, e também começou a questionar por que aquele homem era incompreensivo com ela. Além de sentir, além de ter sentimentos, além de ter vínculos estabelecidos com o mundo ao redor, eles também passaram a questionar. E assim era a vida deles: baseada nas soluções que encontravam pros questionamentos que tinham a partir dos sentimentos que desenvolviam no simples sentir.

Infelizmente não parou por aí. Eles poderiam ter continuado sua evolução com o sentir, com o estabelecer vínculo, com o questionar e buscar respostas às dúvidas. Mas eles se enveredaram por outros caminhos, tortuosos, e que decidiram o curso da humanidade a partir daí. Eles resolveram dar explicações sobre o que faziam e resolveram condenar quem não fizesse coisas de acordo com seus conceitos, e resolveram condenar aquilo que não podiam compreender. Criaram guerras, e durante milênios e milênios a preocupação maior era o outro, mas o outro de uma maneira triste: o que o outro vai pensar, o outro faz errado, o outro é pior ou melhor, o outro é muito diferente.

Nada disso deveria ter acontecido. Eles deveriam ter percebido que buscar explicações não é racionalizar tudo e todos. Que o sentir não tem que ser explicado, e sim sentido, como o próprio nome diz. Que sentimentos devem sim ser controlados, mas não tolhidos nem exterminados. Deviam ter percebido que aquela sensação de sol, de vento, de vontade de estar ao lado não precisava de explicação, porque não tem explicação. E essa falta de explicação é que torna tudo tão gostoso. Eles deviam ter percebido que tolerar, aceitar diferenças, e não condenar pura e simplesmente, fazem parte da evolução. Que evolução não é somente encontrar explicações razoáveis e até mesmo palpáveis para tudo o que se vê e sente. Mas sim encontrar o equilíbrio certo entre sentir, ter afeto, amar, questionar, explicar e agir. Porque tudo isso, junto e equilibrado, é o que os faz humanos.
 

20/05/2003
 
Continuação

É o seguinte: eu já falei tudo o que queria falar sobre o Lenny Kravitz nesse texto do 02 neurônio. Hoje em dia eu não escreveria esse inflamado texto, por diversos motivos. Mas ainda acho o Lenny lindo, eu adoro negros, acho que ele é maravilhoso e charmoso, e gosto não se discute. Se ele é bom músico, não cabe a mim julgar. Eu gosto sim das músicas dele, sei as letras, sei cantar várias. Se ele é modelinho aparecido metido a cantor, também não quero saber. A única pessoa no mundo com quem discuti sobre isso é o menino mais lindo do mundo, e nós nem lembramos mais de nossa discussão. E falar do Lenny é também um tipo de brincadeira que faço, bem piada interna.

Enfim, ainda assim, fiquei indignada com essa letra horrível. Eu já sabia que seria algo sofrível, mas nunca pensei em ler algo do tipo "carinho animal, sensacional e fatal". É pior que rimar amor com dor; e o final "fez de novo, gostoso, me enlouqueceu" é de péssimo gosto. Mas o que estou falando? Todos já sabem que versões são uma merda, e eu nem deveria dar crédito a isso. Mas isso tudo foi somente um preâmbulo para mostrar-lhes a minha nova criação. Minha e do Marco, quero dizer. Claro, se fazer versões dá dinheiro, queremos mais é adentrar nesse lucrativo mercado! Vejam o lirismo dessa poesia:

O seu amor me trouxe tanta dor
Não sei o que fazer, venha me socorrer

Seu carinho sensacional, aquele amor gostoso* fatal
Mas hoje já murchou a flor, a flor do meu amor

Você me lambendo animal**
E o anão mergulhando no mingau
No mingauuuuuuuuuuu

Seu carinho sensacional, aquele amor gostoso* fatal
Mas hoje já murchou a flor, a flor do meu amor
(repita 567689800 vezes)

*: originalmente "foda animal" preferimos substituir por "amor gostoso" porque é sempre assim em pagodes e afins. Sempre utilizam eufemismos ridículos para falar sobre sexo. E já que o negócio é ser brega, quer coisa mais brega que falar "fazer um amor gostoso"?

**originalmente "lambendo meu pau" (ops, sem censuras, somos artistas livres para criar), mas precisava de um eufemismo. O que eu poderia dizer? Enfim, preferi assim, senão a gente não faz sucesso.

E o melhor é que qualquer um pode ser criador de letras imbecis! Basta ativar a tecla "idiota" em você e pensar naqueles poemas que você fazia com 6 anos de idade. Vamos lá, seja criativo!!!

 

 
MINHA FANTASIA - que um carinho animal seja um ornitorrinco tarado correndo atrás de quem fez isso:

Querem chorar? Querem ter fortes emoções? Querem passar mal de tanto rir? Não? Então não leiam o que vem a seguir. Chamam de poesia, música, mas eu ainda acho que é um atentado a tudo: aos meus, aos seus, aos nossos ouvidos. A versão não tem nada a ver com a letra original. NADA. Ok, é versão, dã. Mas a melodia não tem a ver também. Como Lilla me disse, já imaginaram Lenny Kravitz cantando essa porra de "la la la ra ra ra"? (Continua...)

A Minha Fantasia
(Lenny kravitz / versão alexandre Pires / Fernando Pires)

A minha fantasia Era te ter um dia
Não esperava assim tão de repente
Lá, láláiáláiá

Nada mal Nós dois juntinhos Sensacional
Foi fatal O seu carinho, Carinho animal

A minha fantasia Era te ter um dia
Não esperava assim tão de repente

Você sair da linha E viajar na minha
Aconteceu Te quero novamente
Só ficar depois me deixa
Você tentou mais não me esqueceu

O dia amanhecendo e você querendo mais
Fez de novo, gostoso, me enlouqueceu

Láláiáláiá
láláiáláiá.

 

19/05/2003
 
Festa

Quem foi já comentou. Sou uma atrasilda que hoje está no seu mais alto grau de falta total de inspiração. Claro que fui à festa de Marco, não deixaria de ir, mesmo sendo lá onde o vento faz a curva e depois de onde Judas perdeu as botas. Mas o que dizer de um cara que move pessoas de lugares "longínquos" pra outro lugar longínquo? Esse Marco tem mesmo a força, e todos sabemos disso. Festa muito boa, sem contar que a balada começou na ida, porque a água da casa da Maninha deve ter pinga, e eu fui o caminho todo falando coisas imprestáveis. Claro que Lilla, minha irmã, sempre colabora e a EuMesma está soltando as suas besteirolas também (ui). Uma delícia ver todo mundo reunido, ver pessoas felizes, ver o Marco saracoteando de lá para cá, arriscando passos de John Travolta, literalmente saltitando de um lado para outro para falar com todos e dar atenção a todos. Foi uma festa que me fez feliz, desde a preparação da ida (Camila ligou para a galera sábado no começo da tarde para não ter perrengue, e foi laçar a Lilla para ela não deixar de ir) até a volta, onde capotei no carro e só acordei perto de casa. Adoro dormir no carro na volta da balada (não, eu nunca dirijo porque não dirijo mesmo).

Marco, meu querido, ia fazer uma declaração ma-ra-vi-lho-sa e explicar a todos a [interna] emoção que é ser sua musa [/interna]. Mas você deixou minha foto com cara de monstrengo do lago Ness lá no meio das outras. Portanto, só digo que você é um bobo.

TRRIMMMMMMM
Romeu, eu não sei o que aconteceu, espero que estejas bem. Mas esperei o "tstãm tstãm" do meu celular tocar para conversarmos, finalmente, e nada! Poxa, o que dizer? A festa tava linda e o chocolate quente cheio de chocolate derretido ficou lá, fumegante. Tudo bem, o pas-de-deux pode esperar!

X-MEN
Finalmente assisti! Amei o filme, nem tenho o que dizer. Mas vi ali uma parábola sobre aceitação. Bah, todo mundo sabe disso. O diretor é gay, a hora que o IceMan conta aos pais que é um mutante pode ser uma referência a contar aos pais que se é gay, bla bla bla, todos já falaram sobre isso. Por que estou falando? Pra criar uma fumaça interpretativa que esconda o real motivo d'eu ter amado o filme, além, é claro, dos efeitos e etc: WOLVERINE! AAAAAAAAI, que TUDO que é aquele homem! Não me importa a cara de caminhoneiro que andaram dizendo que ele tem, porque eu não acho. Pra melhorar, só se o Wolverine fosse negão. UHU!

Pra finalizar, meninas que estavam no carro: "ah manhê, essa mulherada toda no carro?" "ARRRTHURR, páre de besteira, pegue seu babador e venha assistir Teletubbies". E mais: Lilla, o de baixo é do mesmo tamanho do de cima. Eu acho.

Menina da Torre: VOU COBRAR aquilo tudo baby, nem vem. Prometeu, tem que cumprir! HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA
 

16/05/2003
 
Ai ai... Esse Chico... - ou - Black Velvety Skin (e esse titulo é tão hermético que nem eu compreendo...)

O meu amor
Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque


O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
 

 
The Option

Ontem fui à comemoração não oficial do aniversário de Marco Aurélio, o popstar da rádio de Araçoiaba do Alto. O que tenho a dizer a respeito? Ué... Que foi óótemoooo, houve uma sessão básica de super pândegas piadas, mas tenho algo muito sério a dizer: [interna] fronhonhóim. [/interna].
 

15/05/2003
 
Essa tal puber"tarde"

Tem dias em que acordar se sentindo linda é básico e necessário. Acordar, olhar-se no espelho e pensar que você foi gerada num momento ímpar de criatividade e prazer absolutos entre seus pais. Sair para trabalhar toda rebolativa, como se fosse a Gisele Bündchen passareleando por Paris, e não a Camila atravessando a Berrine aos tropeços para pegar o bussão de cada dia. Hoje, por um motivo importante, aliás, de "toneladas", eu tinha que acordar assim, pensando ser uma vaporosa sílfide saltitando entre tulipas. Mas recebi a ingrata visita de Sr. Murphy essa noite. E ao invés de acordar e ver uma sílfide, acordei e vi uma quase ogra adolescente em processo evolutivo. Minha reação foi pensar "caraca, minha pele é a sucursal do Vesúvio!"

Quase saí esfregando areia no rosto pra fazer uma esfoliação, mas lembrei que isso poderia, hipoteticamente, claro, funhanhar com o restante ainda intacto de minha alva pele. Dizem que clara de ovo é bom, mas não havia tempo para fazer um suspiro em meu rosto. Quero sentar na sarjeta e chorar. Não sei o que aconteceu, não comi coisas gordurentas... Pra completar, porque miséria pouca é bobagem, um dos brackets do meu aparelho se soltou. Mas é justamente aquele que segura o arame. Conclusão: sou uma mulher de 24 anos na cara, cara essa toda empipocada, com aparelho nos dentes e um arame solto na boca. "Tipo assim", sou quase uma adolescente e pior, azarada. Justo hoje? HOJE? Droga viu, saco! "Ninguém merece"!

Para celebrar essa minha puberdade fora de hora, vamos lá, cantem a desgraça alheia, porque além de tudo, sou péssima "fazedora" de paródias:

Essa tal puberdade (lembram do SPC em começo de carreira? Do Alexandre Pires com aquele cabelinho mullet étnico e bigodinho? Então, havia a música "Essa tal liberdade". Esse é o tom, Caçulinha! \o\ /o/)

O que é que eu vou fazer com essa tal puberdade,
De pele acabada eu não sei por que
Eu nunca imaginei que justo aos 24,
minha cútis estaria assim tão "detonê"

Eu andei errada, eu espremi tudo,
achei que isso seria minha salvação,
mas só me ferrei, tá tudo inflamado,
Tô tipo, parecida com o cramulhão.

Quero solução, eu vou "me" passar
Areia nessa pele feia
Quero um creminho, ou coisa que o valha,
vou é cobrir meu rosto com uma toalha...
 

14/05/2003
 
Quero me adiantar. Quero ser uma das primeiras! Por isso...

Era uma vez...

Era uma vez uma mocinha perdida. Uma mocinha que andava sem graça, que estava tristinha, macambúúzia... Um dia, essa mocinha conheceu um mocinho. Um mocinho sim, apesar do tamanho de sua cabeçorra careca. E esse mocinho resolveu gostar da mocinha. Mas não somente gostou. Ele trouxe poesia à vida dessa mocinha. Ele mostrou à ela, mesmo sem querer, coisas que ela jamais enxergaria se não fosse através de alguém especial como ele.

Mas, como tudo na vida não ocorre sempre como a gente manda, como astros nem sempre colidem por causa do tamanho imenso do espaço, eles não ficaram juntos. Mas dali, nasceu uma relação de amizade sincera e um carinho absurdamente grandes. Essa mocinha ama o mocinho e fala isso pra todo mundo. Ama simplesmente porque ele é uma pessoa linda. LINDA. Uma pessoa boa, sincera, querida. E que escreve orelhas e é amigo de urubus!

Marco, você sabe o quanto torço por ti. Você sabe o quanto gosto de você. Outro dia você me disse que agradecia por eu fazer parte da sua vida, mas eu é que agradeço por ter te conhecido. Ai, esse post tá melado demais, afe maria, tá escorrendo mel disso aqui... Seguinte, mano: eu te amo e você sabe disso. E se um dia duvidar, eu mando aquela horda de negões com estrovengas descomunais praticarem um ato sexual voluptuoso e animalesco envolvendo sua pessoa, seu corpinho, seu subilatório e areia. Muita areia. Entendeu?!

PARABÉNS, MARCO!!!!!!

 

 
Homenagem singela a todas as meninas que quiseram ser bailarinas....

CIRANDA DA BAILARINA
Edu Lobo / Chico Buarque

Procurando bem, todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba,
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira, berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem.
Futucando bem, todo mundo tem piolho
Ou cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida, nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem.
Não livra ninguém, todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da manhã
Teve escarlatina ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente, medo de cair, gente
Medo de vertigem quem não tem?
Confessando bem todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha, bigode de groselha
Calcinha um pouco velha ela não tem.
O padre também pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília, goteira na vasilha
Problema na família quem não tem?

A BAILARINA
Toquinho, Mutinho

Um, dois, três e quatro,
Dobro a perna e dou um salto,
Viro e me viro ao revés.
Se eu caio conto até dez.
Depois, essa lenga-lenga
Toda recomeça
Puxa vida, ora essa!
Vivo na ponta dos pés.
Quando sou criança
Viro orgulho da família:
Giro em meia ponta
Sobre minha sapatilha.
Quando sou brinquedo
Me dão corda sem parar.
Se a corda não acaba
Eu não paro de dançar.
Sem querer esnobar
Sei bem fazer um gran de car.
E pra um bom salto acontecer
Me abaixo num demi plier.
Sinto de repente
Uma sensação de orgulho
Se ao contrário de um mergulho
Pulo no ar num gran geté.
Quando estou num palco
Entre luzes a brilhar,
Eu me sinto um pássaro
A voar, voar, voar.
Toda bailarina pela vida vai levar
Sua doce sina de dançar, dançar, dançar.
 

 
Deu erro. ERRO. Droga de blogger.
 

 
A noite em que Francisco Cuoco me agarrou (Nem Freud explica)

Eu estava andando por uma rua com uma iluminação amarelada. Era tarde, e eu estava sozinha. De repente, um homem me agarrou. Nem vi quem era, mas tentei, em vão, me desvencilhar. Quando olhei, era o FRANCISCO CUOCO. Pior: vestido de "Carlão", aquele personagem onde ele era um taxista que acha uma mala de dinheiro. Usava camisa branca justa e meio transparente. Podem imaginar que maravilha. Eu tentei gritar, mas minha voz não saía. Aí ele me soltou e disse: "se eu quisesse, teria te arrastado, e depois ainda te afogava ali no rio". Pensei "que rio?" E aí vi que seria o córrego ali da Berrine. Acordei quase aos berros, pensando que raio de sonho imbecil tinha sido esse. Ser afogada no córrego da Berrine depois de ser agarrada pelo Carlão Francisco Cuoco depois do sucesso e no bico do corvo. Ai, essa imaginação onírica...
 

 
Tempo Bom... ("essa menina tão pequenina quer ser bailarina...")

Houve um tempo em minha vida em que o máximo era ir pra escola, e comer lanche da minha lancheira cor-de-rosa, e brincar na rua de "Chacrinha" ou tentar andar na bicicleta sem rodinhas. Com uns sete anos, minha vida era boa, muito boa, e eu podia ficar em casa de manhã com a minha avó, assistindo "He-Man" e sendo muito paparicada. Eu era a única neta, filha e sobrinha naquela época, e era uma alegria só. Eu gostava muito de ir à escola, de verdade, pois tinha a Professora Maria Júlia, que nos mergulhava a cada dia nos universos da leitura e escrita, além disso, eu tinha meus amigos, que estudaram comigo até a cruel adolescência.

Minha escola era muito boa, e eu sempre soube disso. Tive a maior confirmação disso anos mais tarde, ao fazer estágio para o magistério em escolas públicas, e comparar o que tive ao que vi. A professora Maria Júlia nos alfabetizou com Cecília Meirelles e seu livro "Ou isto ou aquilo". Vocês podem imaginar isso? Uma criança sendo alfabetizada com Cecília Meirelles? Através dos poemas infantis da autora, eu e alguns dos meus amigos adquirimos mais gosto pela leitura. Era uma delícia me imaginar na Chácara do Chico Bolacha ou achar que eu era a Arabela que molhava a flor amarela. Mas o que eu queria mesmo era ser bailarina, a bailarina que ficava na ponta dos pés e que sorria. Meu sonho infantil sempre foi ser bailarina. Eu achava que bailarinas eram seres iluminados, que estavam bem próximos às fadas (isso foi, em parte, reforçado também pela música "Bailarina" do disco "Grande Circo Místico" do Edu Lobo e Chico Buarque, música que resumidamente colocava a bailarina acima dos seres viventes). O tempo passou, acho que hoje em dia não levo jeito para bailar, e tenho vontade de aprender street dance. Mas ainda adoro o poema "A bailarina" e ainda acho que bailarinas são quase fadas...

A Bailarina

Esta menina
Tão pequenina
Quer ser bailarina
Não conhece nem dó nem ré
Mas sabe ficar na ponta do pé
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá
Não conhece nem lá nem si
Mas fecha os olhos e sorri
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
E não fica tonta nem sai do lugar
Põe no cabelo uma estrela e um véu
E diz que caiu do céu
Esta menina
Tão pequenina
Quer ser bailarina
Mas depois esquece todas as danças
E também quer dormir como as outras crianças


É, nostalgia pura... Snif snif... Acho que na próxima encarnação serei cheia dos démi-pliés e frou-frous.
 

13/05/2003
 
Mais uma de um "dotorando" - ou - Quase que Camilinha se vai, mais uma vez (acho que ainda morro disso)

Ao telefone...

- Camila, eu não acredito que tirei tal nota na tradução! Vocês ferraram minha vida, meu Deus. Eu traduzi linha por linha, palavra por palavra, minha nota está errada, só pode estar.
- Senhor fulano, a média final não é definida por nós. De maneira alguma nós, como Instiutição, teríamos a intenção de prejudicar alguma pessoa. Além disso, traduzir palavra por palavra não é garantia de que as palavras traduzidas estejam corretas ou que o texto final esteja coerente, bla bla bla bla e muitos blas.
- Eu não acredito. Se eu encontrar você vou te enforcar!
- Senhor fulano, não sou eu quem corrige as traduções. Elas são corrigidas por um profissional especializado.
- É? Não é você?
- Não. Eu ministro as provas e corrijo outras provas, mas a tradução não.
- Olha, eu estou muito nervoso, nossa senhora. Olha, eu estou inconformado, mas tudo bem. Você me desculpa, viu?! Desculpe qualquer grosseria, mas é que esse resultado me atrapalhou.
- Eu entendo. Até logo.

Desliguei o telefone rindo. O meu "até logo" foi frio, mas o que eu poderia fazer? O que se faz diante de uma situação como essa? Algum psicólogo lê esse blog?
 

 
Ortografia - ou - Camila volta ao primário

Hoje cometi dois erros de ortografia, percebidos por dois amigos queridos. Um, no último post. Escrevi "excessão". Fui corrigida por Mark Aurrell. É EXCEÇÃO! O outro, num e-mail prum amigo que mora lááááá nos States. Escrevi "anciosamente". É ANSIOSAMENTE! Valeu Marco, valeu Paulo!

Ai, se minhas professoras do colégio vissem isso.... Mas tudo bem, nunca mais eu erro essas duas palavrinhas... Atenção: aceito correções, desde que de amigos que sabem mesmo escrever. Patrulha da ortografia blogueira, stay away from me.
 

12/05/2003
 
A Falsa Modernidade que permeia nossas vidas

Há tempos tenho notado um fenômeno que se alastra dentre as pessoas: é a falsa modernidade. O que vem a ser isso? É quase um falso moralismo, mas menos americanizado. Todos sabemos o quão os Estados Unidos são a nação do falso moralismo, mas o que dizer aqui de nosso país, nosso estado, nossa cidade, e, mais especificamente, dos nossos amigos, das pessoas que convivem conosco?

O falso moderno é obviamente aquele que se diz moderno, mas têm conceitos ultrapassados tão arraigados que nem percebe que os utiliza. Simplesmente porque os conceitos são parte dele. Mas o problema é que notei que todos temos um pouco de falsos modernos. Sim, sim; porque a maioria de nós preconiza revoluções, vai contra a maré, diz que não aceita tal e tal coisa. Mas aí, na hora de se relacionar, age como se estivesse na Idade da Pedra. Na hora de relacionar, coloca muros e hastia bandeiras, e generaliza, e dita frases que começam com "elas são assim, não tem como mudar" ou ainda "não sou eu, é todo mundo que pensa assim, então já é algo cultural".

Porra. Quem disse que anos e anos de pensamento tosco arraigado no senso-comum têm que ser mantidos? Me digam: por que não pode existir amizade entre homem e mulher? Por que mulher não deve transar no primeiro encontro? Por que devem existir mulheres "pra casar" e mulheres "pra transar"? Por que homens sempre querem só transar e nunca querem se envolver a princípio?

Não, não me venha falar que você nunca pensou assim. Somos estimulados a pensar dessa maneira colonial e, se você não compartilha desses pensamentos, agradeço a Deus e digo: puxa, você é exceção. Não quero generalizar, nem fazer parte de nenhum tipo de revolução internética pela liberação feminina. Não tem NADA a ver com isso.

Mas outro dia discuti com um amigo, que disse que não tem amigas. Olhei assustada, e ele disse: "é, aparece pelada na minha frente pra você ver pra onde vai a amizade". Fernando Bonassi, na revista da Folha, e minha amiga Dea, num bate-papo pré cinema, disseram sabiamente algo parecido: quem disse que amizade tem a ver com castidade? Quem disse que a amizade exclui a libido? Quem disse que, ao sentir atração por um amigo, sua amizade seja menos verdadeira? Bah, é tudo balela. Atração é normal de se sentir em se tratando do sexo oposto. Se essa atração vai vingar ou não, já é um problema de cada um. Me sinto mal ao ouvir um cara dizer que não tem amigas mulheres. Porque isso reforça a idéia de que mulher serve apenas para procriação. Para fodelança. Para namorar. Casar e afins. E quem determinou isso?????

Eu já me peguei censurando amigas que haviam transado no primeiro encontro. Admito, já censurei sim. Não pretendo dizer: "mulherada, sai liberando que a coisa é fantástica!" A coisa, ou sexo, é sempre fantástico, quando acontece quando os dois estão a fim. Se é na primeira ou na décima, vai de cada um. É simples assim. Mas, infelizmente, outro dia ouvi de outro amigo que mulher que transa no primeiro encontro não se dá valor. Porra! Por quê? Porque quis? Então, homens podem ter tesão e dar vazão a isso, mas mulheres têm que se segurar? E aí, depois, eu tive que ouvir que um homem nunca vai querer conhecer profundamente uma mulher que transa no primeiro encontro. O pior, é saber que pra grande parte dos caras é assim mesmo, infelizmente. Porque por mais que digamos que conquistamos direitos, nós, mulheres, também estimulamos esse machismo do falso moderno. Generalizar é sim criar barreiras.

Outra coisa que me deixa indignada é esse papo de "fulana serve pra casar". Por quê? Por acaso hoje em dia se casa por "bom comportamento", tal qual um preso é colocado em condicional? Assustador esse paralelo, não? Mas é péssimo separar quem serve ou não pra casar, ainda mais hoje em dia, onde divórcios acontecem a cada 5 minutos. Pelo que eu saiba, a decisão de se casar parte do amor, do respeito, da honestidade, do sentimento maior que pode unir dois seres. E não do perfil se encaixar ou não nos preceitos casadoiros. Em pleno século XXI, ainda temos pensamento de que mulher deve ser preparada para casar. Nós, que trabalhamos, estudamos, somos categorizadas como "boa pra casar" ou "boa pra transar". Lamentável. Diz-se que determinados comportamentos indicam que a mulher não é de confiança. A pessoa pode ter agido mal uma vez, e por isso nunca vai mudar? Pau que nasce torto, morre torto? Eu acho que sou uma besta que ainda acredita na capacidade humana de ponderar, reconsiderar e mudar - ainda acho que essa capacidade é o que deveria nos distanciar mais da condição de Homo Erectus e nos aproximar mais da condição de Homo Sapiens Sapiens.

Mais uma vez, digo que minha intenção não é dicotomizar ainda mais a relação homem-mulher. Também não acho que somos iguais. Acho que nos complementamos, e são justamente as diferenças que tornam nossa relação proveitosa. Mas determinados conceitos são até mesmo desrespeitosos. Diferentes em algumas coisas sim. Mas sempre com respeito, muito respeito. E sem conceitos medievais, por favor. Os tempos vêm mudando há séculos, os conceitos, as visões, as percepções de vida sempre se adaptam. Isso serve também para mim. Eu também, de tempos em tempos, sou obrigada a rever os meus conceitos.
 

 
Sabem...

Tem dias em que eu fico o dia todo atualizando minha caixa de e-mails para ver se recebo alguma coisa legal. Alguma mensagem para eu responder no ato. Alguma mensagem que me faça sorrir. Festejar. Pular. Hoje foi um dia assim, e claro, Murphy deu o ar de sua graça. Minhas amigas fofésimas mandaram e-mails. Mas e-mails breves (Lilla até me mostrou seu lado 007). Agora, pergunta se algum amigOOOOO me mandou algum e-mail? Claro que não!

(Camila é um ser extremamente cara-de-pau, pois geralmente leva alguns dias para responder e-mails. O que isso significa? Não sei, mas o médico pediu que ninguém me contrariasse....)
 

 
Esse é o famoso 16 toneladas... Agora vem, vai, se embale na nossa... Esse samba é quente e tira qualquer um da fossa...

Pois é. O que fiz nesse finde? Fui ao show do Funk como le Gusta de "grátis" no Centro Cultural São Paulo. Vocês já ouviram? Ouçam, é muito bom. Até Lilla Revo-Styler, a menina rock and roll, adorou. Agora que já tive meu momento "promova a banda", quero deixar uma coisa bem clara:

Lilla, Maninha, EuMesma, ReOx: cês são foda, minas! ;-)

Por enquanto é só. Me falta inspiração e tempo.
 

Eu digo
"Respeito muito minhas lágrimas,
mas ainda mais minha risada."

(Vaca Profana - Caetano Veloso)


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