EXTRA!! EXTRA!!! FOI LOCALIZADO O ELO PERDIDO ENTRE O PRIMATA E O........... BOBOBOY!!
Enquanto cientistas descobrem que nosso código genético é mais parecido com o dos ratos do que com o dos macacos, estou aqui para lhes contar uma experiência super-ultra-mega-master-super-dooper-extra sensorial: o dia em que descobri o elo de ligação entre nossos ancestrais primatas, sejam eles australopitecos ou camundongos super desenvolvidos (ainda acho que a segunda opção é mais apropriada) e os já mundialmente conhecidos e igualmente dignos de estudo: os boboboys. Aqueles rapazes cujo senso de noção é inexistente, e cujo comportamento oscila entre o desagradável, passando pelo revoltante e, algumas vezes, chegando ao nível "ânsia de vômito".
Diz a lenda que os homens primatas usavam de força para conquistar a mulher. Era exibir os músculos, levar um pedaço de carne recém caçada e dar uma "tacapada" na cabeça do "alvo" e pimba (na gorduchinha)! Era só correr pro abraço! Milhares de anos se passaram, mas esse impulso atávico de usar a força como arma de conquista perdurou, de certa maneira, em quase toda a espécie, mas de outra maneira um pouco mais sutil: crê-se que o cavalheiro precisa ter qualidades, físicas e psicológicas (para algumas mulheres, se o rapaz tiver qualidade na conta bancária, basta) para ter mais chance na disputa pela mulher. Antes que me chamem de machista, deixo claro que essa é quase uma visão antropológica. Claro que se aplica às mulheres também, que devem também ter qualidades (dã).
Porém, alguns boboboys, que se acham homens, ainda têm bastante arraigada essa questão da "força física" na hora da "conquista". Uma mulher que nunca foi à uma danceteria e teve seus cabelos puxados, braço beliscado e corpo quase esmagado na parede deve morar em outro planeta, que, aliás, eu gostaria muito de conhecer. Muitos acham que é chamando uma quase desconhecida na chincha que ele vai garantir a trepadinha da noite. E agem bêbados. Todos sabem que bebida e boboboy é uma mistura explosiva, pra não dizer insuportável. Vamos à história (inteira verídica, por sinal).
Sexta passada fui com um amigo ao All Black, um pub wannabe irlandês aqui de Sampa. Fui encontrar com uns outros amigos, que, quando chegamos, já estavam dobrando pra lá de Bagdá. Sem problemas até aí. Mas, no meio dos meus amigos, havia, claro, os amigos dos amigos e agregados, igualmente bebaços. Dentre eles, um que eu conheço de vista há um tempo, e que sempre olha pra mim com cara de maníaco sexual depois de meses recluso numa bolha (tipo o Volpone). Até aí, ele nunca havia sido sem noção comigo. Chamaremos o rapaz de Wanderson, ok? Pois bem, o Wanderson começou bem mal: passou por mim e beliscou meu braço. Perguntei: "o que é isso?". E ele: "nada, ué". Claro que cravei minhas unhas no braço dele e também falei "nada, ué...". Depois, eu estava conversando com meu amigo, quando Wanderson chegou e me empurrou pra cima do moço, deixando meu amigo, eu e os demais com aquela interrogação na testa: "o que foi isso?????". Fiquei muito puta, mas preferi ignorar.
Mal sabia eu que o festival de aborigenice ainda estava por vir. Meu amigo foi ao banheiro, e o Wanderson literalmente colou em mim:
- Some daqui agora.
- ????????? Hã??????????
- Fala que vai ao banheiro e some daqui agora.
- Continuo sem entender e não quero ir ao banheiro.
- Você não precisa entrar no banheiro. É só sumir do campo de visão da galera, e eu vou atrás de você.
- Continuo sem entender. Quem disse que eu quero sair daqui? Você fala a minha língua?
- Você sabe que eu sempre te olhei.
- E........................ daí?
- E hoje eu te olhei a noite toda.
- Ah tá.
- E você não vai fazer nada a respeito?
- Como assim????????
- Ué, eu te olhei a noite toda, e aí?
- Já passou pela sua cabeça que eu não quero nada com você?
- Mas eu quero com você.
- Troféu jóinha, Wanderson. Então, que tal você dar uma volta e me deixar sozinha?
- Você não vai fazer nada?
- Vou sim. Te lembrar que nunca te dei bola, que você está bêbado, e que você tem namorada. Que é amiga dos meus amigos, por sinal.
- Ah, é assim?
- O que você acha?
- Quando seu amigo voltar do banheiro, eu vou interromper o papo de você o tempo todo.
- É? Nossa. O bom é que esse bar tem segurança, né?!
- É assim?
- ¬¬
Meu amigo voltou, mas Wanderson sumiu. Graças à Santa Maria de Pitiguari, porque eu não ia suportar mais babaquice por aquela noite. Uma das coisas que mais me irrita é homem que não sabe paquerar. Porque ser olhada é ótimo, claro que é. Ser abordada por alguém legal também (o que não era o caso). Mas ninguém gosta de ser olhada como um pedaço de picanha gordurosa, por um cachorro famélico e de olhar ávido. O problema é que muitos homens confundem ter atitude com ser inconveniente. Confundem charme com idiotice. Confundem paquera com caça às mariposas. E mais ainda: confundem mulher com boneca inflável. Não vou entrar na questão "tem mulher que gosta" ou "tem mulher que faz isso também". EU não gosto. Não há mulher que não goste de ser admirada, mas entre admirar por algum motivo e achar que aquela mulher está ali para servir há um abismo de distância. Charme, olhares, conversa, paquera, beijo na boca, tudo isso é ótimo, desde que haja interesse de ambas as partes. Forçar barra, ainda mais movido pelo álcool, é o fim da paçoquinha prensada. Não é?!